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Mostrando postagens de novembro, 2012

Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

De qual ponto você olha a vida?

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Tem gente que passa a vida de onde está olhando adiante. “Quando terminar isso, correrei atrás do meu sonho”. “Quando tal época chegar, farei o que realmente desejo”. “Quando tiver tempo livre, realizarei o projeto da minha vida.” Estou falando daqueles que vivem postergando o que acham que os fará felizes, com a desculpa de que “ainda não chegou a hora”. No futuro, esse desconhecido e incerto, está a prometida felicidade. Hoje é o lugar onde estão, com muita tolerância e sem muita presença, já que bom mesmo será o amanhã. Há um outro tipo que passa os dias olhando para trás. No ensino médio têm saudade da primeira escola; na faculdade suspiram pelo cursinho; quando entram no mercado de trabalho morrem de vontade de “voltar apenas estudar”. Casados, suspiram pela solteirice. Divorciados, sentem faltam imensa da proteção da relação a dois. Como a professorinha de Ataulfo Alves, entoam o mantra “eu era feliz e não sabia” todos os dias e para qualquer coisa. Hoje é somente um espaço ...

Os rios dentro de nós...

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Afeto e desejo são sentimentos gêmeos. Em alguns momentos da existência eles se ignoram, em outros parecem inseparáveis. Na vida dos homens, mais do que das mulheres, eles são como rios paralelos que às vezes se esbarram, mas raramente se encontram. Por isso é tão mais difícil para os homens encontrar prazer e sentimentos duradouros. Por isso não conseguem estar inteiros nas relações – porque vivem divididos por dentro. Acho que essa dificuldade explica parte das contradições que os homens exibem o tempo inteiro. “Ele disse que estava apaixonado, mas logo depois mostrou que não estava”: era o desejo falando, sem o amparo duradouro do sentimento. “Ele foi embora, mas voltou logo depois, dizendo que me amava”: o corpo da outra precisou estar ausente para o sujeito perceber os próprios sentimentos. “Ele parecia tão interessado quando eu não queria, depois que eu me apaixonei ele sumiu”: o desejo enlouquece com o que ainda não tem, e pode se cansar rapidamente depois de saciado. Afetos...