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Mostrando postagens de dezembro, 2014

Olhe para ela!

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  "Ver o outro de verdade é um sinal de carinho e de respeito..." Toda questão complicada tem uma resposta simples, e ela, invariavelmente, está errada.  Eu me lembrei dessa velha ironia na segunda-feira, no Rio de Janeiro, quando um rapaz se aproximou durante o lançamento do meu livro e disse que gostaria de fazer uma pergunta. Mesmo antevendo uma situação embaraçosa, eu concordei, e ouvi o seguinte: se eu tivesse de dar um único conselho para ajudá-lo num relacionamento, qual seria?  Pense no que vocês diriam no meu lugar. Eu, posto na situação sem aviso prévio, respondi sem hesitar: “Preste atenção nela. Tente entendê-la. Descubra o que ela pensa e o que ela sente.”  O rapaz ensaiou outras perguntas, mas, como havia uma fila atrás dele, a conversa acabou por ali. Ele foi embora, não inteiramente satisfeito, e eu segui dando autógrafos e conversando com as pessoas, meio incomodado – com a pergunta dele, com a minha resposta e com a situação desconhecida do rapaz, q...

Se a vida te ventar, monte nela e voe...

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Trovões, ainda hoje, me dão medo. É São Pedro fazendo faxina e arrastando móveis no céu? Então ele devia colocar feltro nos pés dos móveis! Porque já não era sem tempo dele perceber que, dessa forma, atrapalha os vizinhos. Já ouviu falar da lei do silêncio? Chega de susto, São Pedro! A maior importância do trovão, para mim, é que ele nos remete à nossa pequenez. À nossa desproteção frente a tudo, ao inevitável, ao inesperado. O que tiver que vir, virá. E, se vier, o que será de nós? Quando ruge um trovão, uns se encolhem. Outros tremem. Há quem chame Iansã. E há os que gritam por Santa Bárbara. Elas têm muitos pontos em comum. São figuras femininas com a capacidade de impor sua vontade, mesmo que tenha um custo. Toda vontade tem seu custo. E não buscar seus desejos, por acaso também não tem? Ficar sem viver o sonhado não tem um custo mais alto ainda? Iansã é a orixá dos ventos, das ventanias e tempestades. Do tempo que fecha e aperta o peito na previsão de di...

Desabafo sobre o amor...

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O amor é aquele carinha da sua escola, da primeira série, que te xingava de um milhão de palavrões infantis só porque você tinha os dentes da frente abertos. O amor é aquela caixa de morangos que parecem estar maravilhosos e, quando você abre, descobre que todos os que estavam no fundo estão podres. O amor é aquela seção de calças de cintura alta perfeitas, tamanho 32, que não cabem nem mesmo em modelos. O amor não é justo. E, talvez, o problema resida não no sentimento em si, e sim no timing.  Duas pessoas, quando se encontram, têm a possibilidade mínima de se encontrarem no mesmo estágio de vida. Não importa se você é magra, loira e tem os olhos azuis, se o cara não tá a fim de namorar agora. Não importa quantos gominhos você tenha na sua barriga malhadíssima, se o outro te acha um saco.  Conheci muita gente e me apaixonei por cada uma delas - paixão é sim, uma forma mínima de amar, por menor que seja. Conheci gente demais em tempos errados demais. Hoje, perce...

Na vida é preciso limpar armários, amores e almas...

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Foto em rede social é vitrine. Puro marketing. Vende uma imagem de sucesso e felicidade deixando o gancho para que o outro se rasgue de inveja e ciúmes. Você mostra o seu melhor. Mesmo que não seja lá muito verdade. Não importa. Ninguém monta uma vitrine com a mensagem: estou mal, em depressão, triste, falido. Nunca. As vacas podem estar magras, mas as fotos jamais te contarão esse detalhe. Aliás, as fotos te contam das vacas: aquelas que você tem vontade de esganar quando vê penduradas no pescoço do seu ainda amado ex. Fotos, curtidas, comentários são instrumentos de tortura para almas magoadas e aflitas. Cada descoberta, uma faca afiada cortando a alma ferida. A gente sangra, mas não larga o osso. Fuxica tudo. Sofre, mas segue pulando de página em página querendo saber quem é a vaca que comentou o post dele. E a nojenta oferecida que lhe mandou beijo. De post em post imaginamos as cenas de romances mais calientes. O ex que era para ser só seu, agora parece manter um harém. Um verda...