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Mostrando postagens de novembro, 2013

Olhe para ela!

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  "Ver o outro de verdade é um sinal de carinho e de respeito..." Toda questão complicada tem uma resposta simples, e ela, invariavelmente, está errada.  Eu me lembrei dessa velha ironia na segunda-feira, no Rio de Janeiro, quando um rapaz se aproximou durante o lançamento do meu livro e disse que gostaria de fazer uma pergunta. Mesmo antevendo uma situação embaraçosa, eu concordei, e ouvi o seguinte: se eu tivesse de dar um único conselho para ajudá-lo num relacionamento, qual seria?  Pense no que vocês diriam no meu lugar. Eu, posto na situação sem aviso prévio, respondi sem hesitar: “Preste atenção nela. Tente entendê-la. Descubra o que ela pensa e o que ela sente.”  O rapaz ensaiou outras perguntas, mas, como havia uma fila atrás dele, a conversa acabou por ali. Ele foi embora, não inteiramente satisfeito, e eu segui dando autógrafos e conversando com as pessoas, meio incomodado – com a pergunta dele, com a minha resposta e com a situação desconhecida do rapaz, q...

Há uma tristeza em nós que precisa ser respeitada...

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        Há uma tristeza em nós que sobrevive às maiores alegrias. Todo mundo sabe disso. Freud, Shakespeare, Paulo Leminski. Um dia, inevitavelmente, os neurocientistas irão localizar, com ajuda de ressonância magnética, o vão do cérebro que permanece cinza mesmo no auge da euforia e no ápice da paixão. Então saberemos, com rigor científico, o que sempre soubemos: que a sombra e a melancolia são partes inseparáveis de nós. Ter isso claro ajuda a entender o que nos passa. Ajuda a compreender nossos humores estranhos. Ajuda a entender uma tarde sombria no auge do verão. Ajuda a aceitar uma noite em claro, o silêncio no meio da festa, a vontade irresistível de chorar ouvindo uma canção no rádio. Também somos assim. Às vezes temos sonhos de abandono em momentos serenos da vida. Neles, a pessoa que a gente ama vai embora, nos vira as costas, torna-se repentina e irremediavelmente inacessível. A gente acorda de um sonho desses com a alma turva, tomado de desconfiança...

O bilhete em braile...

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As duas caminhavam à minha frente, conversando. Quando eu me preparava para ultrapassá-las, a mais alta se inclinou na direção da amiga e disse a frase devagar, com raiva: “Juro, no dia em que eu for embora, vou deixar para ele um bilhete em braile. O cara é cego!” Se eu fosse metade do jornalista que eu gostaria de ser, teria parado naquele instante, girado 180 graus, e perguntado à moça, sem hesitação, quem era o tal sujeito e o que ele fizera para merecer uma jura tão triste, e tão bonita. Mas não. Eu apenas atrasei o passo e prossegui, lentamente, com olhos e ouvidos voltados para trás, na esperança de ouvir o resto da história. Não adiantou. A moça alta se calou com ar resignado e a amiga dela, que não tinha olhos de poeta, pareceu aliviada com o silêncio. Amores tristes, nós sabemos, podem ser infinitamente chatos. A frase da moça, porém, ficou comigo. Mesmo sem um enredo que lhe desse substância, aquela imagem – o bilhete em braile - teve a força de despertar em mim a memór...