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Mostrando postagens de junho, 2015

Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

Orfandades...

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Quem ama cuida. Quem ama não se ausenta e nem se esquiva. Quando as coisas ficam difíceis, estica a mão, oferece o ombro, abraça e conforta. Quem ama se faz presente, não sai do ar. Às vezes se sacrifica. O amor tem uma cláusula de irrevogabilidade. Se foi revogado não é amor. Já era. Se isso lhe parece antigo, tem razão. As coisas não são mais assim. A modalidade de amor que praticamos é mais amena. Está ligada ao nosso futuro, à nossa carreira, a certa ideia de conforto e sucesso. É contingente. Virou uma forma de realização pessoal e social, não sentimento pelo qual pagamos um preço. Pelo amor não sacrificamos nada, só recebemos. Desculpem se pareço triste, mas percebo ao meu redor - e dentro de mim - uma sensação pesada de orfandade, ligada à transitoriedade das coisas. Fui ver na internet e descobri que a palavra "órfão" vem do grego orphanos, que significa, literalmente, "privado" ou "desprovido". Não nos sentimos privados de proteção e carinho? Nã...

A crise dos 30...

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                           Talvez seja apenas uma experiência pessoal, mas eu duvido. Ao redor de mim, sinto que outros homens são forçados a lidar com a mesma perplexidade: as mulheres se aproximam dos 30 anos e, repentinamente, tudo começa a mudar. Outro dia, conversando com uma moça dessa idade, ela contou que nos meses anteriores havia rompido com o homem com quem morava, viajado para a Índia, mudado de emprego e de profissão e encontrado uma nova forma de viver, baseada na meditação e no autoconhecimento. "Meu namorado achava que estava tudo bem, mas não estava", diz ela. "Eu estava em ebulição, sentada no sofá ao lado dele". Ela não tinha certeza sobre o que desejava, mas sabia que tinha de sair e procurar. Foi o que fez, diante do olhar atônito do parceiro. Não voltou mais. O senso comum costuma relacionar esse comportamento - e essa crise - a uma única palavra: maternidade. Na curva dos 30, as moças começar...