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Mostrando postagens de novembro, 2016

Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

Quem gosta, mostra...

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Lembro perfeitamente da frustração: eu encantado pela moça e ela me driblando, por quase um mês. O primeiro encontro fora perfeito, mas nunca mais se repetiu. Ela se dizia ansiosa para me ver, mas sempre arrumava uma nova desculpa para adiar. Um dia, cansei das explicações, da incerteza e do desapontamento. Apesar da atração que sentia por ela, cortei a comunicação e nunca mais nos falamos. Essa experiência marcante deu forma a um princípio que tento seguir à risca: relações amorosas começam de forma simples e recíproca, ou nem começam. Acredito que os sentimentos se expressam de maneira clara. Quem gosta, mostra. Quando as coisas são emocionalmente claras, os atos são simples. Quem está hesitando, enrolando ou adiando, é porque não sabe o que sente – e poucas coisas são mais dolorosas do que se envolver com quem não sabe o que quer. Vale o mesmo para a reciprocidade. Se você está perdidamente apaixonada e a pessoa parece mais interessada na tela do celular, cuidado – esse c...

O ponto de não retorno...

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Chega um momento em que a pessoa que um dia amamos ainda é capaz de nos magoar, mas não será capaz de nos fazer feliz. Eu me dei conta disso faz uns dias, durante um almoço com uma amiga que vive uma separação demorada e difícil. Ela contava o que sentiu ao ver seu ex com outra mulher, no Facebook. “Não daria para voltar com ele. Não é mais possível. Mas doeu tanto vê-lo com outra...” Esse é o ponto de não retorno: a relação anterior ficou tão distante que não se pode mais voltar a ela. A única opção é avançar sozinho, torcendo para que outro amor apareça e nos ajude superar o ciúme e o ressentimento deixados pela separação. Identificar esse momento delicado é ainda mais essencial para quem está num relacionamento apodrecido. Nele, o outro pode nos machucar e nós podemos machucá-lo, diariamente, mas ninguém é capaz de dar felicidade ao parceiro ou a si mesmo. Se o convívio se resume a desentendimentos, frustrações e brigas, e se o sexo, quando acontece, vem recoberto por raiva e anim...

Os diálogos inexistentes...

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Em vez de anjo da guarda, eu queria ter nos bastidores da minha vida uma equipe de roteiristas profissionais, com poder de mudar minha história. Cada vez que estivesse a ponto de fazer algo definitivo, a cena seria congelada ao meu redor – todos parados como estátuas, no meio de um gesto ou de uma palavra – e eu ouviria ponderações sobre a melhor maneira de agir. “Se você disser isso, ela irá embora em uma semana”, avisaria o roteirista, de prancheta na mão, ajeitando os óculos de acetato azul. “É isso mesmo que você deseja?” Mesmo hesitando, eu diria, “sim”, ao que ele, sorrindo, falaria em voz alta, para alguém oculto atrás das paredes. “OK, deixa correr!” E a cena teria sequência, para o bem ou para o mal. Imagine de quantas dores e arrependimentos seríamos poupados se a vida nos desse essa pequena oportunidade. Os roteiristas saberiam o que as alternativas de futuro nos reservam e ajudariam, com pequenas advertências e empurrões, a tomarmos o caminho mais divertido até o final ...