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Mostrando postagens de julho, 2011

Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

Você tem medo de quê?

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Medo, esta é uma palavra que dá medo. É um sentimento que nos põe apreensivos, direcionando-nos a tomar (ou não) determinado caminho. É uma sensação fisiológica desconfortável que exige uma resposta, seja para lutar ou para fugir. O medo nos acompanha pelos corredores escuros da vida quando não estamos certos de que o amanhã será ensolarado, de que a chuva não seja passageira, de que o telefone talvez não toque e de que a luz no fim do túnel possa ser uma miragem. Somos acompanhados pela sombra do medo de não ser perfeito, de estar de braços dados com o engano, de se aliar aos perigos que surgem como fantasmas numa noite-breu. Temos medo de imprevistos: perder o emprego, o avião, o grande amor da nossa vida, a beleza da juventude, os sonhos de outrora, as amizades verdadeiras. Temos medo de dizer que estamos inseguros e que seria melhor esperar a próxima estação para andar de pés descalços. Sim, também temos medo de sentir medo. Mas de todos os medos, existe um que é nutrido pela...

Tão perto, tão longe...

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Tudo em ti era uma ausência que se demorava: uma despedida pronta a cumprir-se. (Cecília Meireles) Esta semana estive pensando sobre o motivo que leva determinadas pessoas a se manter ao lado de alguém que já não corresponde às expectativas ou talvez nunca tenha correspondido, mas, por insistência, insegurança, por amor, acabam se nutrindo de pequenas gotas de emoções que, mais cedo ou mais tarde, secarão por completo, levando-as à deprimente situação de angústia, até chegar à tristeza absoluta. Quem se deixa entrar nesse processo conhece bem os sintomas de quando as coisas já foram por água abaixo. A verdade é que paramos de nos perceber e passamos a ver somente os defeitos de quem está conosco e, como num mecanismo de autodefesa à própria incapacidade de reação, culpamos o outro por nos encontrarmos estagnados, sem tesão pela vida e por todas as vicissitudes que já foram vividas por ambos. Ninguém quer viver sozinho, mas a solidão muitas vezes é maior quando, acompanhados, não so...

Solidão a Dois...

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    O que fazer? Às vezes, assistimos a psicólogos falando sobre essa questão "solidão a dois". É muito fácil, enquanto estudioso, teorizar em torno de saídas e grandes viradas de jogo para resolver o problema de um casal que saturou o relacionamento. Porém, só quem está imerso nessa realidade é que sabe avaliar o quanto é penoso e difícil sair dessa relação ou encontrar um meio de torná-la de novo interessante. Casais e casais com a relação desgastada convivem sob o mesmo teto, adiando o que deveria ser prioridade: uma conversa franca e definitiva. Mas não é assim que a coisa funciona - são capítulos dessa história que não foram concluídos, medos de enfrentar a vida sozinho novamente, preconceito frente a uma possível separação, enfim, várias são as desculpas para não tomar uma atitude definitiva. Acredito que solidão a dois é o pior dos sentimentos, pois você tem um relacionamento nas mãos e não sabe o que fazer com ele. Sentimentos de culpa começam a aflorar, tristeza,...
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Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. (Caio Fernando Abreu)   Nas despedidas amorosas, geralmente, existe quem despede e quem é despedido. Este texto versa sobre o sujeito-paciente, aquele que sofre (integralmente) a ação do veredito. Falar em despedida ou separação, numa análise prágmatica, é algo bem corriqueiro, afinal, quem já não passou por isso, seja em maior ou menor intensidade emocional, mas, com certeza, já viveu o seu quinhão de desconforto ou de lágrimas. Despedir-se de alguém é sinônimo de encerramento de enredo, ruptura de um lastro afetivo, fim da convivência física e início de uma série de lembranças que farão parte de uma nova rotina, agora, na ausência de um dos personagens, tendo, à princípio, como companheira fiel, a solidão. E isso dói! Por que...

Jogo de Cintura...

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Quando afinal, tudo estava certo, no lugar exato, se encaixando, tudo mudou. Outra vez. A história era bem aquela, as coisas não eram bem assim, o caminho não é mais aquele, a pessoa não era tão legal, o namoro acabou, o casamento gorou, o emprego dançou. De repente, o susto de novo, a falta de chão. Tudo que era deixa de ser. Muda o panorama, o horizonte, a perspectiva, a vida. Canseira, preguiça, raiva. Quando chegará a minha vez? Nunca. Pelo menos não desse jeito que a gente fantasia "a nossa vez". Não existe um momento estático em que tudo fica em um determinado jeito ruim, nem um determinado jeito bom. O bom e o ruim passam. Só há uma coisa segura, certa e imutável na vida: Nada é seguro, certo e imutável. Por isso, não adianta ficar esperando a vez chegar. A vez já chegou, está sendo agora, o melhor a fazer é aproveitar a mudança para ver, refletir, mudar o ponto de observação, considerar o mundo sob uma outra ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento. Não ...

Casa Arrumada...

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  Casa arrumada é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida... Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança. Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto... Casa com vida é aquela em que a gente entr...

A PRISÃO DE CADA UM

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   O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.    Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.    São cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar.    O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário tranc...

Não importa o que os outros veem...

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Antes de colocar a minha ideia em pauta, vamos fazer um pequeno turismo por aí, pela periferia, vindo de fora para dentro, interligando algumas situações que tem tudo a ver com as atitudes que tomamos ou deixamos de tomar. Quantas vezes você já parou para pensar o que realmente pensa sobre si mesmo? Será que a sua conclusão é realmente correta ou tem a ver com o que os outros dizem a seu respeito? Se você se olhar por dentro agora, o que vê? Uma pessoa que lhe agrada ou tem algumas rugas de preocupação pelo que ouviu de alguém ontem? E o que foi dito está mais ou menos em sintonia com o que você acha sobre si ou entrou em choque com a sua visão intimista? Pronto, já fiz o meu turismo. Agora, vamos aos fatos. Quantas vezes na vida você se pegou fazendo inferências em frente ao espelho sobre o seu corpo, o seu rosto, os seus cabelos? Está fora do peso ou magro demais, é muito alto ou baixo em excesso, precisa vencer a timidez ou ser menos extrovertido, usar roupas mais elegantes ou ca...

Extremos da paixão...

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"Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo..." Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER. Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei ...

Te desejo uma fé enorme...

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"Te desejo uma fé enorme. Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Que 2011 seja doce. Repit...