Olhe para ela!

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  "Ver o outro de verdade é um sinal de carinho e de respeito..." Toda questão complicada tem uma resposta simples, e ela, invariavelmente, está errada.  Eu me lembrei dessa velha ironia na segunda-feira, no Rio de Janeiro, quando um rapaz se aproximou durante o lançamento do meu livro e disse que gostaria de fazer uma pergunta. Mesmo antevendo uma situação embaraçosa, eu concordei, e ouvi o seguinte: se eu tivesse de dar um único conselho para ajudá-lo num relacionamento, qual seria?  Pense no que vocês diriam no meu lugar. Eu, posto na situação sem aviso prévio, respondi sem hesitar: “Preste atenção nela. Tente entendê-la. Descubra o que ela pensa e o que ela sente.”  O rapaz ensaiou outras perguntas, mas, como havia uma fila atrás dele, a conversa acabou por ali. Ele foi embora, não inteiramente satisfeito, e eu segui dando autógrafos e conversando com as pessoas, meio incomodado – com a pergunta dele, com a minha resposta e com a situação desconhecida do rapaz, q...

Você tem medo de quê?



Medo, esta é uma palavra que dá medo. É um sentimento que nos põe apreensivos, direcionando-nos a tomar (ou não) determinado caminho. É uma sensação fisiológica desconfortável que exige uma resposta, seja para lutar ou para fugir. O medo nos acompanha pelos corredores escuros da vida quando não estamos certos de que o amanhã será ensolarado, de que a chuva não seja passageira, de que o telefone talvez não toque e de que a luz no fim do túnel possa ser uma miragem.

Somos acompanhados pela sombra do medo de não ser perfeito, de estar de braços dados com o engano, de se aliar aos perigos que surgem como fantasmas numa noite-breu. Temos medo de imprevistos: perder o emprego, o avião, o grande amor da nossa vida, a beleza da juventude, os sonhos de outrora, as amizades verdadeiras. Temos medo de dizer que estamos inseguros e que seria melhor esperar a próxima estação para andar de pés descalços. Sim, também temos medo de sentir medo.

Mas de todos os medos, existe um que é nutrido pela nossa ansiedade - o medo de errar, e essa sensação nos acompanha pelos dias e, às vezes, pelas noites infindas, conforme for o descompasso dos acontecimentos e o quanto estamos inseguros de pisar em falso. Se o dinheiro acaba, temos receio de ficar doentes, se dormimos demais, tememos pela fila no trânsito, se a viagem demora mais que o esperado, ficamos com medo de sentir saudade. Temos horror ao medo: de engordar, de emagrecer, de ficar cansado, de chorar, de rir à beça, de amar demais, de amar de menos. Temos medo do amanhã, do depois de amanhã... e da morte.

O medo é, então, um sentimento ruim? Não, o medo não é de todo mal. Não vamos até a ponta do precipício porque sabemos que há perigo de cair, não tomamos remédio em excesso porque temos conhecimento de que a dose certa é imprescindível para a cura, jamais vamos magoar alguém que amamos por temer que ela se afaste de nós para sempre. Sentir medo, pois, não é sensação de covardes, é apenas a mostra do que se tem a enfrentar, as suas possíveis consequências, o pensar com mais cuidado acerca de um fato que nos diz respeito. È um alerta para o desconhecido. Enfrentar ou não essa névoa obscura só depende de nós.

Por: Afrodite para maiores

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