Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

Na vida é preciso limpar armários, amores e almas...



Foto em rede social é vitrine. Puro marketing. Vende uma imagem de sucesso e felicidade deixando o gancho para que o outro se rasgue de inveja e ciúmes. Você mostra o seu melhor. Mesmo que não seja lá muito verdade. Não importa.

Ninguém monta uma vitrine com a mensagem: estou mal, em depressão, triste, falido. Nunca. As vacas podem estar magras, mas as fotos jamais te contarão esse detalhe. Aliás, as fotos te contam das vacas: aquelas que você tem vontade de esganar quando vê penduradas no pescoço do seu ainda amado ex.

Fotos, curtidas, comentários são instrumentos de tortura para almas magoadas e aflitas. Cada descoberta, uma faca afiada cortando a alma ferida. A gente sangra, mas não larga o osso. Fuxica tudo.

Sofre, mas segue pulando de página em página querendo saber quem é a vaca que comentou o post dele. E a nojenta oferecida que lhe mandou beijo. De post em post imaginamos as cenas de romances mais calientes. O ex que era para ser só seu, agora parece manter um harém. Um verdadeiro inferno na terra.

Amores são assim: uns flutuam, outros naufragam. Ficar em barco afundado é uma furada. Está sofrendo? Se sente ligada ao ex, ao passado sem conseguir se libertar? Quer um conselho? Desfaça a amizade com o ser que se foi. Pare de seguir a criatura.

O que ele vai pensar? Que se dane o que ele vai pensar. Pense em você. Ex- parceiros em rede social é como regime com lata de leite condensado na despensa. Claro que não vai dar certo. Não se faz regime com lata de leite condensado na despensa! Nem se bota a fila para andar com o olhar pendurado no facebook do ex. É muito difícil se desvencilhar quando se está tão conectada ao outro.

É preciso coragem para uma tão atitude radical. E, já aviso, vai dar uma sensação de vazio horrível. Além de ser irreversível. Porque voltar, com o rabo entre as pernas, pedindo a amizade de volta é muita humilhação. Nem pensar!

Em compensação, aquela aflição quando a luz verde acende e indica que ele está online, mas não te procura? Essa acaba de vez! Dá um alívio enorme.

Na vida é preciso limpar armários, amores e almas. Sabe aqueles modelitos que você não se desprende porque:

- Quem sabe volta a caber...

Amiga, não vai caber! Seu número agora é outro! Enfrente, jogue fora, saia e arrume um afeto que caiba confortavelmente. Porque relações têm que ser confortáveis, acolhedoras, boas de ficar.

Aperto? Sufoco? Nunca mais! Abra o armário. Jogue fora os velhos amores, velhos hábitos. Parceiros são como roupa! Não usou há mais de seis meses? Desapega. Não o deixe ali guardadinho entulhando seu armário afetivo: jogue fora! Doe! Mande para um brechó. Ligue para o disque-entulho e chame a Comlurb.

Se desfaça das amarras internas que te ligam a um passado que não te cabe mais. Renove seus amores, sua alma e sua vida! Repagine seus afetos, suas propostas de vida! E se permita ser feliz.


Mônica Raouf

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