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Mostrando postagens de janeiro, 2016

Medo da morte ou da vida?

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  O que a consciência da finitude revela sobre nossas escolhas? O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades como o amor, o êxtase, as surpresas. Atravessamos a famosa faixa de pedestre de Abbey Road escutando Beatles nos fones de ouvido porque a morte está à espreita, é assim que a combatemos. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Assistindo a uma ópera, mesmo preferindo o rock. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas , para deixar um mundo melhor lá ad...

De casal é melhor...

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A solidão é uma caixinha repleta de possibilidades, mas nenhuma delas equivale a um relacionamento apaixonado. A frase me ocorreu esta tarde, enquanto eu perambulava pelas ruas de Buenos Aires olhando os prédios antigos e as mulheres que o verão espalha nas calçadas da cidade. Mesmo contente, fui obrigado a lembrar que da última vez que estive aqui estava mais feliz, acasalado. Existe algo profundo e benigno na nossa natureza que floresce apenas na presença do amor. Não falo de uma paixão sozinha e inventada, mas de uma atração correspondida, que nos permite desabrochar sem pressa e sem medo na presença do outro. Os dois se aceitam e se desejam, e por isso – exatamente por isso – podem se tornar pessoas melhores. Esse é o poder do amor. Ao redor desse tipo de relação ocorrem pequenos milagres de física afetiva. Assim como a luz se curva na borda de um buraco negro, o ar que circunda os apaixonados vibra de forma distinta. Você olha Buenos Aires pelos olhos do seu amor e a cidade entr...

10 coisas que aprendi com 2015...

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Ouço todo mundo reclamando de que este ano não foi fácil. Eu concordo inteiramente. Aconteceu de tudo, e muita coisa foi ruim. Para mim, foi um ano de perdas como eu nunca tinha tido. Para todos, parece ter sido um ano de grande confusão – aquilo que os chineses chamavam, com enorme ironia, de “tempos interessantes”. De alguma maneira sobrevivemos e, naturalmente, aprendemos com isso. Eu mesmo aprendi muita coisa. Sobre morte, sobre separação, sobre relações passageiras e sobre o papel dos bichos na nossa vida. Muitas dessas coisas, como dizia um antigo chefe meu, são novidades apenas para mim. Outras, podem ser novas para mais gente. Tomara que haja mais do segundo caso. Dizem que a gente nunca aprende com a experiência dos outros, mas eu sou um pouco mais otimista. Se o meu annus horribilis não for capaz de ensinar, talvez consiga distrair. Vocês me digam: 1. Mãe faz muita falta. Não adianta ser um adulto grisalho. Não importa que a sua mãe tenha 87 anos. Quando ela morre, abre um...