Olhe para ela!

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  "Ver o outro de verdade é um sinal de carinho e de respeito..." Toda questão complicada tem uma resposta simples, e ela, invariavelmente, está errada.  Eu me lembrei dessa velha ironia na segunda-feira, no Rio de Janeiro, quando um rapaz se aproximou durante o lançamento do meu livro e disse que gostaria de fazer uma pergunta. Mesmo antevendo uma situação embaraçosa, eu concordei, e ouvi o seguinte: se eu tivesse de dar um único conselho para ajudá-lo num relacionamento, qual seria?  Pense no que vocês diriam no meu lugar. Eu, posto na situação sem aviso prévio, respondi sem hesitar: “Preste atenção nela. Tente entendê-la. Descubra o que ela pensa e o que ela sente.”  O rapaz ensaiou outras perguntas, mas, como havia uma fila atrás dele, a conversa acabou por ali. Ele foi embora, não inteiramente satisfeito, e eu segui dando autógrafos e conversando com as pessoas, meio incomodado – com a pergunta dele, com a minha resposta e com a situação desconhecida do rapaz, q...

O Panteão do Ex


Seguramente, cada um de nós tem a sua coleção de ex-. Vivemos em mutantes acontecimentos, e, bem ou mal, nessa trajetória, envolvemo-nos mais com uns e menos com outros. Os ex-colegas da escola, a ex-turma, os ex-professores, o ex-chefe, podendo evoluir para outros mais próximos: ex-namorado, ex-marido, ex-mulher, enfim. Estamos rodeados de ex-relacionamentos que compõem a nossa vida e nos deixam marcas (boas e ruins) em cada ciclo que fechamos. Dependendo do grau de proximidade que tivemos com o(a) ex-, certamente, poderá haver, em tempo subsequente, uma tentativa de resgate da história vivida ou, pelo menos, de parte dela. E é exatamente aí que podem surgir alguns erros iminentes, como o confronto entre o que foi um dia e como será agora. Examinam-se as duas situações, a realidade atual de cada um e determinam-se, mesmo que inconscientemente, diferenças e semelhanças naquilo que teve (e ainda pode ter) importância e peso relevantes. Mas será que pode ser do mesmo jeito? É claro que uma segunda investida em um relacionamento findo pode causar insegurança, ainda mais se levarmos em conta que ambos, ou um dos dois, envolveu-se profundamente com outra pessoa, teve uma história, sofreu mudanças, enrijeceu ou abrandou a personalidade. É possível que, no correr dos dias, haja uma rememoração dos comportamentos antigos e, equivocadamente, inicie-se um processo de busca (emocional e física) daquilo que ainda habita na memória e/ou nos sentidos. Pode ter certeza, nunca mais será a mesma coisa. Há lacunas que foram preenchidas por outras pessoas e são essas que, no presente, poderão acinzentar o resgate da relação. Haverá jogo de cintura para lidar com as novas situações? Esse novo cenário que se abre é composto por outros personagens e um público desconhecido. As velhas discordâncias causadoras do afastamento podem nem ter mais lugar nesse enredo inusitado. Só os sentimentos permaneceram, a essência, talvez algumas dores e delícias, mas a velha história ficou no passado e não há como ressuscitá-la. Antes de ser acometido por um surto de impulsividade e mergulhar de cabeça no que já se conhece, seria interessante considerar uma única cláusula para esse tema: o motivo causador da separação. Estaria este cicatrizado? Resolvido? Há expectativa de que haja um novo olhar sobre esse fator preponderante? Por se saber conhecedor do peso de um desconforto emocional vivido com esse alguém, fato é que haja acirrada desconfiança em se envolver por inteiro e incorrer no mesmo erro. Será que estamos prontos para um risco como esse? Acho que sim, desde que não se lapide a memória e nem se desenhe a mesma paisagem para pregar na parede.


Fonte:www.afroditeparamaiores.com

Comentários

  1. "O que quebrou a gente monta
    Refaz a nossa história de amor"

    Prefiro acreditar no trecho desta canção. Mesmo que algo se quebre e ao ser colado fique visível algumas rachaduras é possível que possamos conviver, basta que realmente exista amor.
    Errar é humano e todos estamos sujeitos a ele.
    Abraços, Robson.

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