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domingo, 31 de julho de 2011

Você tem medo de quê?



Medo, esta é uma palavra que dá medo. É um sentimento que nos põe apreensivos, direcionando-nos a tomar (ou não) determinado caminho. É uma sensação fisiológica desconfortável que exige uma resposta, seja para lutar ou para fugir. O medo nos acompanha pelos corredores escuros da vida quando não estamos certos de que o amanhã será ensolarado, de que a chuva não seja passageira, de que o telefone talvez não toque e de que a luz no fim do túnel possa ser uma miragem.

Somos acompanhados pela sombra do medo de não ser perfeito, de estar de braços dados com o engano, de se aliar aos perigos que surgem como fantasmas numa noite-breu. Temos medo de imprevistos: perder o emprego, o avião, o grande amor da nossa vida, a beleza da juventude, os sonhos de outrora, as amizades verdadeiras. Temos medo de dizer que estamos inseguros e que seria melhor esperar a próxima estação para andar de pés descalços. Sim, também temos medo de sentir medo.

Mas de todos os medos, existe um que é nutrido pela nossa ansiedade - o medo de errar, e essa sensação nos acompanha pelos dias e, às vezes, pelas noites infindas, conforme for o descompasso dos acontecimentos e o quanto estamos inseguros de pisar em falso. Se o dinheiro acaba, temos receio de ficar doentes, se dormimos demais, tememos pela fila no trânsito, se a viagem demora mais que o esperado, ficamos com medo de sentir saudade. Temos horror ao medo: de engordar, de emagrecer, de ficar cansado, de chorar, de rir à beça, de amar demais, de amar de menos. Temos medo do amanhã, do depois de amanhã... e da morte.

O medo é, então, um sentimento ruim? Não, o medo não é de todo mal. Não vamos até a ponta do precipício porque sabemos que há perigo de cair, não tomamos remédio em excesso porque temos conhecimento de que a dose certa é imprescindível para a cura, jamais vamos magoar alguém que amamos por temer que ela se afaste de nós para sempre. Sentir medo, pois, não é sensação de covardes, é apenas a mostra do que se tem a enfrentar, as suas possíveis consequências, o pensar com mais cuidado acerca de um fato que nos diz respeito. È um alerta para o desconhecido. Enfrentar ou não essa névoa obscura só depende de nós.

Por: Afrodite para maiores

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tão perto, tão longe...

Tudo em ti era uma ausência que se demorava: uma despedida pronta a cumprir-se. (Cecília Meireles)

Esta semana estive pensando sobre o motivo que leva determinadas pessoas a se manter ao lado de alguém que já não corresponde às expectativas ou talvez nunca tenha correspondido, mas, por insistência, insegurança, por amor, acabam se nutrindo de pequenas gotas de emoções que, mais cedo ou mais tarde, secarão por completo, levando-as à deprimente situação de angústia, até chegar à tristeza absoluta.

Quem se deixa entrar nesse processo conhece bem os sintomas de quando as coisas já foram por água abaixo. A verdade é que paramos de nos perceber e passamos a ver somente os defeitos de quem está conosco e, como num mecanismo de autodefesa à própria incapacidade de reação, culpamos o outro por nos encontrarmos estagnados, sem tesão pela vida e por todas as vicissitudes que já foram vividas por ambos.

Ninguém quer viver sozinho, mas a solidão muitas vezes é maior quando, acompanhados, não somos vistos. E como pesa essa amarra que nos aprisiona o corpo e a mente, tornando-nos reféns da nossa própria sorte. Não libertamos o outro e não nos damos chance de liberdade para sair do tom pastel, mesmo que isso represente algo misterioso, disforme, obscuro, talvez futuramente doloroso, cheio de incoerência e sem garantia de retorno à tepidez.

Teme-se isso tudo! E os temores que acompanham um (pré) fim de caso são bastante comuns. Tem-se a noção exata do que se irá enfrentar quando a barreira da suportabilidade for vencida. É uma espécie de prenúncio de morte, sem a menor ideia de quanto tempo se guardará o luto pela ausência da pessoa amada. Muitas lágrimas serão sentidas, o sentimento de solidão será sufocante seguido de um provável inconformismo e um desconforto sombrio, que cercará o seu universo, comprimido pela dor.

Independente das razões que levaram a essa realidade, o que se tem em mãos é uma mistura de um presente repleto de incertezas com um futuro imprevisto. Alia-se a isso o inevitável trabalho de Sísifo para esquecer aquele alguém a quem se dedicou o melhor de si e tinha tudo para dar certo. Ninguém está preparado para perder, ainda que haja conciência de que tatear o desconhecido pode ser um convite irresistível a uma nova vida, talvez repleta de dias melhores.

Por mais que se esforce, não há como se preservar emoções em medidas iguais. E como queremos da vida um doce poema, ao sentirmos o fim da rima, entramos num processo de nostalgia, tentando, em suspiros, resgatar as michas do que um dia foi exato e completo. Mas já paramos para pensar que num relacionamento podemos estar com a espada de Dâmocles apontada para a nossa cabeça, sujeita a nos ferir a qualquer momento? Não, ninguém alimenta essa possibilidade, já que somos, por essência, idealizadores do amor romântico.

Viver com alguém é tão inexato que é impossível prever a dimensão dos sentimentos do outro, do quanto ele se permite (ou deseja) de nós. Não é proposital, posto que emoções não são conscientes nem calculáveis. Elas acontecem (ou não)! E se não houver mais motivo para aprofundar um sorriso, aproximar para um beijo, estender a noite e preencher o dia com a presença de quem se tem ao lado, não há mais por que sustentar o alicerce com apenas duas mãos.

Por: Afrodite para maiores

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Solidão a Dois...

 
 
O que fazer?
Às vezes, assistimos a psicólogos falando sobre essa questão "solidão a dois". É muito fácil, enquanto estudioso, teorizar em torno de saídas e grandes viradas de jogo para resolver o problema de um casal que saturou o relacionamento. Porém, só quem está imerso nessa realidade é que sabe avaliar o quanto é penoso e difícil sair dessa relação ou encontrar um meio de torná-la de novo interessante.

Casais e casais com a relação desgastada convivem sob o mesmo teto, adiando o que deveria ser prioridade: uma conversa franca e definitiva. Mas não é assim que a coisa funciona - são capítulos dessa história que não foram concluídos, medos de enfrentar a vida sozinho novamente, preconceito frente a uma possível separação, enfim, várias são as desculpas para não tomar uma atitude definitiva.

Acredito que solidão a dois é o pior dos sentimentos, pois você tem um relacionamento nas mãos e não sabe o que fazer com ele. Sentimentos de culpa começam a aflorar, tristeza, desânimo e depressão surgem aos borbotões e nenhum dos dois parece se importar com o outro; ficam ensimesmados com as suas dores.

Eu pergunto: não é egoísmo demais (de ambos) manter esse tipo de relação?


Por Afrodite para Maiores

terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.(Caio Fernando Abreu)
 
Nas despedidas amorosas, geralmente, existe quem despede e quem é despedido. Este texto versa sobre o sujeito-paciente, aquele que sofre (integralmente) a ação do veredito.
Falar em despedida ou separação, numa análise prágmatica, é algo bem corriqueiro, afinal, quem já não passou por isso, seja em maior ou menor intensidade emocional, mas, com certeza, já viveu o seu quinhão de desconforto ou de lágrimas. Despedir-se de alguém é sinônimo de encerramento de enredo, ruptura de um lastro afetivo, fim da convivência física e início de uma série de lembranças que farão parte de uma nova rotina, agora, na ausência de um dos personagens, tendo, à princípio, como companheira fiel, a solidão. E isso dói!
Por que as despedidas são necessárias? É mesmo inevitável dar (ou receber) um adeus quando não há mais história para construir? E se simplesmente nos afastássemos, aos poucos, sem ferir, sem romper abruptamente com os laços que nos mantiveram ali por um tempo? A quem ficou, serão dias, noites e uma frase na garganta, dilatada, inflamada, que não quer sair: "Quem errou? Fui eu ou foi você?" Mas o fato é que o fim chegou, entrou pela porta, instalou-se no sofá da sala, empurrando-o para fora. A consciência pedirá, primeiramente, entendimento, depois mudança. É complexo apagar da memória um epílogo amoroso, uma presença marcante, sentimentos que habitam no coração. Essas coisas não entram em modo off de uma hora para outra.

Temos a exata consciência da saúde dos nossos relacionamentos, especialmente quando estão doentes, no entanto, quem ainda tem esperança de cura, insiste em manter o outro por perto, mesmo que à custa de unguentos que só fazem retardar o veredito. Falta coragem para mudar, colocar o pé para dentro do redemoinho e deixar ao sabor do vento a durabilidade da tensão. A incerteza amedronta. Temos o dom de nos apegar, esticar ao máximo o que nos é conhecido, por medo de que pode vir. Preferimos o alicerce, a muleta, a migalha, o pouco ou quase nada que recebemos a darmos chance ao improvável. É natural sobrepormos a emoção à razão quando é o nosso coração que está em jogo.

Sim, tudo é um processo, para quem recebeu o adeus, haverá insônia, passando a ferro as lembranças e todos os possíveis e alcançáveis pedaços do enredo, até os nauseantes e inintendíveis, chegando, então, à aceitação do fim. E mesmo que se tente evitar, o tempo é de reflexão, de abrir uma fenda para que escoem todas as reminiscências necessárias, as mágoas empoladas, a parte sombria, que não se quer guardar. Tudo é um ciclo, há tempo de sorrisos e igualmente de lágrimas. É preciso fazer essa travessia turva e até meio indigesta a fim de obter uma nova via de acesso, onde o passado não cabe mais.
E por trás desse assédio de tristeza temporária e quase saudade pelo que foi, o tempo responderá que nada é mais doloroso do que ficar ao lado de alguém que não nos enxerga, que já não sente o prazer da nossa companhia, que se aliviou com a nossa ausência, que foi embora sem olhar para trás. Seria tão mais simples apenas ir, sem o bilhete de adeus, sem formalizar o desenlace, sem esclarecer que aquela história de amor chegou ao último capítulo. Não precisaríamos ganhar o prêmio do adeus. Evitaríamos mortificar este momento para sempre.
A quem foi "despedido" resta, além das lembranças, o sentimento de desamparo, a dor da solidão que será carregada com zelo por um tempo, por todos os cantos da casa, levada ao shopping nas tardes de sábado, tomar um café no domingo de manhã, uma companhia que, se não houver desvelo, será quase apreciável: terá aroma, sabor, feição e, quem sabe, vida própria. A quem foi "despedido" resta entender, mesmo que aos poucos, que a vida está lá fora, continua com todas as "dores e delícias" possíveis de serem vividas e que uma ruptura amorosa não significa que houve perda, mas sim o resgate de si mesmo.

Por: Afrodite para Maiores

 

sábado, 9 de julho de 2011

Jogo de Cintura...


Quando afinal, tudo estava certo, no lugar exato, se encaixando, tudo mudou. Outra vez.
A história era bem aquela, as coisas não eram bem assim, o caminho não é mais aquele, a pessoa não era tão legal, o namoro acabou, o casamento gorou, o emprego dançou. De repente, o susto de novo, a falta de chão. Tudo que era deixa de ser. Muda o panorama, o horizonte, a perspectiva, a vida. Canseira, preguiça, raiva.
Quando chegará a minha vez? Nunca. Pelo menos não desse jeito que a gente fantasia "a nossa vez". Não existe um momento estático em que tudo fica em um determinado jeito ruim, nem um determinado jeito bom. O bom e o ruim passam. Só há uma coisa segura, certa e imutável na vida: Nada é seguro, certo e imutável.
Por isso, não adianta ficar esperando a vez chegar. A vez já chegou, está sendo agora, o melhor a fazer é aproveitar a mudança para ver, refletir, mudar o ponto de observação, considerar o mundo sob uma outra ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento.
Não adianta olhar pra trás e curtir aquela dorzinha funda, por trás da mudança: infelicidade de agora lembrando da felicidade de ontem.
Mais construtivo é viver com a mudança. Algumas reflexões que passam pela minha cabeça, quando me vejo na situação de enfrentar a mudança.
Não é bom controlar o mundo lá fora, segurar, prender, forçar para que as coisas se encaixem em um jogo de quebra-cabeça criado pela nossa imaginação.
Controlar o de fora é impossível. Quebra! O negócio não é esperar que o mundo se adapte a nós. Nós temos que mudar para estar em harmonia com a nova situação lá fora.
Ter flexibilidade. Jogo de cintura. Ser leve. Retirar peso. Flutuar como pluma, dançar com o vento, sem resistência, sem oposição.
Pensar que a mudança por pior que seja, sempre traz com ela um certo alívio. Passado um período difícil de transição, cheio de incerteza e confusão, vem o prazer da descoberta do novo, o novo lugar, o novo ambiente, a nova alegria e a esperança da reconstrução.
O movimento cai, levanta, constrói; cai, levanta, constrói, de novo e de novo enrijece o músculo, aumenta a elasticidade, a força, o jogo de cintura, a capacidade de viver melhor a vida.
Sobretudo não ter medo de perder. Com medo de perder, não se arrisca. Com medo de morrer não se vive.
Lembrar que na praia, cada onda que cresce e se desenvolve deve à sua beleza, ao desmanchar da onda que a procedeu. E considerar as perdas como batalhas, não como a grande guerra.
Enfrentar o momento da partida, mesmo quando não se tem um lugar certo para ir.
Abrir para o desconhecido, deixar o desconhecido entrar e atrapalhar.
Olhar a mudança como o natural e não a exceção. A surpresa, a coisa ruim. Viver é um processo. Mudança é vida. Só não muda quem está morto. E nós estamos "vivinhos da Silva".

(Fátima Ali)

Casa Arrumada...

 
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Por: Lena Gino.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A PRISÃO DE CADA UM


   O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32,
disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a
prisão na qual quer viver.
   Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível
refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é uma calça velha,
azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No
entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação
pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua
clausura.
   São cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru:
podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música,
ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa
própria e habeas corpus, nem pensar.
   O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a
pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de
chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo
de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza.
   Viver sem laços igualmente pode nos reter. Uma vida
mundana, sem dependentes pra sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se
condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida
amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada
através de um filho.
   Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que
poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que
decidimos quando seremos capturados e para onde seremos
levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos
trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é
estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o
mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados
analfabetismo, miséria, exclusão. Brindemos: temos todos cela especial.

Autor Desconhecido

domingo, 3 de julho de 2011

Não importa o que os outros veem...


Antes de colocar a minha ideia em pauta, vamos fazer um pequeno turismo por aí, pela periferia, vindo de fora para dentro, interligando algumas situações que tem tudo a ver com as atitudes que tomamos ou deixamos de tomar.

Quantas vezes você já parou para pensar o que realmente pensa sobre si mesmo? Será que a sua conclusão é realmente correta ou tem a ver com o que os outros dizem a seu respeito? Se você se olhar por dentro agora, o que vê? Uma pessoa que lhe agrada ou tem algumas rugas de preocupação pelo que ouviu de alguém ontem? E o que foi dito está mais ou menos em sintonia com o que você acha sobre si ou entrou em choque com a sua visão intimista?

Pronto, já fiz o meu turismo. Agora, vamos aos fatos. Quantas vezes na vida você se pegou fazendo inferências em frente ao espelho sobre o seu corpo, o seu rosto, os seus cabelos? Está fora do peso ou magro demais, é muito alto ou baixo em excesso, precisa vencer a timidez ou ser menos extrovertido, usar roupas mais elegantes ou casuais, ser mais corajoso ou menos prepotente, enfim, encontrar um equilíbrio que satisfaça você e aos demais. Sim, aos demais!

Ninguém se acha feio ou bonito, legal ou antipático por consciência. Vemos no espelho o que os outros dizem de nós. Elogios e críticas externas são as coisas que mais pesam na nossa consciência. E ninguém venha me dizer que não liga, que se garante e dispensa qualquer comentário a seu respeito. Mesmo que dispense, ele vem e muitas vezes nos oprime, preocupa-nos, sufoca-nos, tira-nos do eixo até tomarmos uma atitude que pode vir de encontro com o que queremos ou o que pensamos.

Experimente pedir uma opinião sobre qualquer coisa na sua vida. É impressionante a saraivada de pitacos que vai receber, desordenadamente, histericamente, em tom autoritário e cheio de moral. A disposição que algumas pessoas têm de se meter na nossa vida e até projetar as suas frustrações é algo descabido e inaceitável. Se permitirmos (seja por educação ou por afeto) vão opinar, prescrever as nossas falhas e assinar a sentença do que fazer para mudar.

Mesmo que você faça o tipo discreto e não pergunte nada a ninguém, não está livre de ouvir vez ou outra uma crítica sobre o seu físico ou quem sabe uma atitude que tenha tomado e ido em desacordo com o que o sujeito pensa. E ainda se diz amigo! E ainda diz que quer o melhor para você. Imagine se quisesse o pior?! Essas pessoas, além de tóxicas e nos colocarem para baixo, influenciam negativamente na nossa personalidade por desequilibrarem os conceitos físicos e psicológicos que temos incrustados na mente. Deixam-nos confusos e inseguros.

Este ano, decidi fazer mudanças na minha vida: comecei trocando de emprego, sendo menos vaidosa e me afastando de pessoas que não me fazem bem. As três coisas estão tendo resultados positivos impressionantes: permiti-me mudar de atividade desenvolvendo coisas novas, não perco mais horas em frente ao espelho para agradar os outros e livrei-me de quem só apontava os meus defeitos. O preço, claro, foi uma reclusão temporária e necessária para que eu pudesse solidificar os meus propósitos sem me deixar influenciar por ninguém.

É difícil? Sim, especialmente se não tivermos paciência para separar o joio do trigo. Costumo dizer que a vida é feita de lições. É importante prestar muita atenção a esta: procure enxergar as coisas por si mesmo e não pelo que os outros veem. Isso evita uma série de implicantes que vêm em consequência da nossa omissão, como o esfumaçamento da personalidade e o arrependimento, por exemplo. Ainda bem que a lição subsequente a esta é: seja você mesmo, sem vergonha de ser feliz. E os outros? Que outros?

Por: Afrodite para maiores

sábado, 2 de julho de 2011

Extremos da paixão...



"Não, meu bem, não adianta bancar o distante lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolos em face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.

Carlos F. Abreu

Te desejo uma fé enorme...


"Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você."


( Caio Fernando Abreu )