Loading...

sábado, 30 de abril de 2011

Bom mesmo


Tem uma crônica do Paulo Mendes Campos em que ele conta de um amigo que sofria de pressão alta e era obrigado a fazer uma dieta rigorosa. Certa vez, no meio de uma conversa animada de um grupo, durante a qual mantivera um silêncio triste, ele suspirou fundo e declarou:
- Vocês ficam ai dizendo que bom mesmo é mulher. Bom mesmo é sal!
O que realmente diferencia os estágios da experiência humana nesta Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não apenas bom. Melhor do que tudo. Bom MESMO.
Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria:
- Conversa. Bom mesmo é mãe.
Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho de um pião bem lançado, o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, o cheiro da terra úmida e o cheiro de caderno novo?
- Bom mesmo é o cheiro de Vick VapoRub.
Mas acho que, tirando-se uma média das opiniões de pré-adolescentes normais brasileiros, se chegaria fatalmente à conclusão de que nesta fase bom mesmo, melhor do que tudo, melhor até do que fazer xixi na piscina, é passe de calcanhar que dá certo.
Mais tarde a gente se sente na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher (ou prima, que é parecido com mulher), mas no fundo ainda acha que bom mesmo é acordar na segunda-feira com febre e não precisar ir à aula.
Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa. Bom mesmo é sexo!
Esta fase dura geralmente até o fim da vida, mesmo quando o sexo precisa disputar a preferência com outras coisas boas (“Pra mim é sexo em primeiro e romance policial em segundo, mas longe”). Quando alguém diz que bom mesmo é outra coisa, está sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.
- Bom mesmo é figada com queijo.
- Melhor do que sexo?
- Bom...Cada coisa na sua hora.
Com a chamada idade madura, embora persista o consenso de que nada se iguala ao prazer, mesmo teórico, do sexo, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres da vida prática vão se impondo.
- Meu filho, eu sei que você aí, tão cheio de vida e de entusiasmo, não vai compreender isto. Mas tome nota do que eu digo porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.
E esta é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecido. E que bom, mas bom MESMO, é nunca mais ser obrigado a ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.


Por: Luiz Fernando Veríssimo

    Amores Mastercard

     
     
    Um amigo me contou um caso outro dia que me deixou meio indignada. Ele gostava de uma menina há tempos e a tal nunca deu bola pra ele. Ele tinha um Santana velho. Resolveu trocar o carro. Comprou um Honda. E não é que a menina passou a gostar dele no mesmo minuto? Mas o que me deixou revoltada não foi a reação dela e sim a dele! Ele ficou superfeliz por ela finalmente ter caído em seus braços, sem levar em consideração o motivo.

    De uma outra vez, um outro amigo me disse que bastava contar a sua profissão para as meninas já o olharem com outros olhos. Só de saber o título. Não importava se ele era chato, mal-educado, pão-duro, ranzinza ou mulherengo. Babavam pelo que ele era por fora. Pelo status que ele tinha.

    Sei que existem vários motivos que nos fazem gostar de alguém. Mas realmente eu não gostaria que alguém se interessasse por mim por causa do carro que eu tenho. Ou das roupas que eu visto. Ou pelo lugar onde eu moro. Ou por eu passar em um concurso qualquer que me dê uma profissão bem-remunerada. O carro pode ser batido. As roupas podem ficar fora de moda. Eu posso mudar de endereço. Posso machucar e ter que me aposentar. E aí? A pessoa vai gostar do meu carro amassado, das roupas ultrapassadas, da casa alugada, do meu status de aposentada precoce?

    Conheço muita gente, algumas amigas inclusive, que deixam de sair com o cara se ele não tem carro ou não paga a conta. Não importa que ele seja um príncipe. Se não tem uns três cartões de crédito na carteira, perdeu a chance. Que venha o próximo que possa as abastecer de momentos dignos de comerciais de cartão Mastercard, que – diga-se de passagem – não serve pra comprar amor.

    Eu gosto do meu namorado pela alegria que eu sinto quando estou junto dele e porque sei que fica o maior vazio quando ele não está perto. Gosto do jeito que ele tem de me mimar, de fazer com que eu me sinta amada, do tom de voz que ele tem, da forma com que franze as sobrancelhas quando está pensando, das brincadeirinhas que faz, pelo bom humor na maior parte do tempo, pelo amor que ele tem pela família, pela generosidade com o mundo inteiro, pela inteligência natural, pelo jeito que dorme (literalmente) em um piscar de olhos, pelo pulo que meu coração dá quando ele me liga e eu escuto a nossa música saindo do celular, pela tristeza profunda que eu sinto nas poucas vezes em que a gente discute e pelo ciúme exagerado que me deixa louca de raiva quando percebo qualquer uma se aproximar dele. Gosto dele pelo que ele tem por dentro. Ele pode ficar pobre, desistir da profissão, ter que andar de ônibus pelo resto da vida que eu vou gostar do mesmo jeito. Já a namoradinha que o meu amigo arrumou, vai embora no minuto em que 2011 acabar e aparecer um outro com um carro do (novo) ano.

    Gostar de alguém pelo que a pessoa tem é ilusório. Os bens materiais que possuímos podem se perder em um segundo, o cartão de crédito tem data para expirar. Já o que somos, na essência, vai durar por toda a vida, não tem prazo de validade. Eu prefiro que meus amores sejam constantes em vez de transitórios. Um carro legal podemos conseguir por nós mesmos. Uma profissão bem remunerada basta que façamos por onde. Agora sermos amados pelo que somos, isso dinheiro nenhum pode comprar. E não adianta a Mastercard querer me provar o contrário.


    Fonte: Crônica do Dia: AMORES MASTERCARD -- Paula Pimenta

    sexta-feira, 29 de abril de 2011

    Por um dia especial...

    Sabe aquele dia em que você acorda com a sensação de que algo vai mudar na sua vida? Seja de dentro pra fora ou de fora pra dentro, alguma coisa muito interessante vai acontecer... Aí, você abre o seu e-mail e lá está, tudo o que você queria ler. Algo tão decisivo que pode modificar a sua realidade. Se o meu sexto sentido não estiver falhando, acredito que hoje (e os próximos dias) serão ótimos, inesquecíveis, especiais.

    A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável." (Kathleen Norris)

    De repente um fato inusitado na sua vida aparece, mas é novo mesmo. E tudo muda: você reacende o brilho dos olhos e tem uma estranha impressão de leveza e bem-estar. É como se todas as preocupações que lhe tiraram o sono nas noites anteriores tivessem se dissipado; o pensamento que andava distante, agora está ali, curtindo cada minuto daquele dia, e ele tem sabor de aventura. De repente, você põe de lado a tristeza, joga os resquícios dos dias ruins para baixo do tapete e se permite novos ares. E eles chegam intensos!


    Não, não pare para pensar se isso será bom ou ruim para um futuro próximo. Viver este presente, sem questionar o que poderá vir depois é tudo o que tem a fazer. Se você acordou com essa sensação e confirmou os seus prognósticos, dê uma chance ao seu momento: ele poderá ser único e fazer de você um sonhador com os pés no chão, alguém que está se dando uma oportunidade de fazer diferente, com nuances mais coloridas, sem peso, sem medo, sentindo a vida incorporar-se a um outro horizonte. Viva o que tem para viver agora, sem medo de ser feliz! Promete?
    Por: Afrodite para Maiores

    A dor que não tem nome...

     
     
    Amar e ser amado é tudo o que se quer. Com amor, tudo que se faz parece ter mais sentido, a vida tem mais cor, as coisas banais parecem mais prazerosas. Por isso, a separação, quando acontece, dói muito, de um jeito impossível de definir. Uma dor que não é só solidão, que não tem nome.

    Quando a separação é inevitável, e vem sendo apenas adiada, como quem empurra a sujeira para baixo do tapete, cedo ou tarde chega o dia em que uma das duas pessoas envolvidas, ou ambas, admitem que o relacionamento acabou, está só no papel, ou nem está nele. É tempo de fazer as malas, é tempo de sofrer esse luto, que existe mesmo quando o amor não existe mais.

    Estar sozinha implica em muitas pequenas coisas, que como definiu Chico Buarque, são “a soma de tudo que chamam lar”. O controle da TV finalmente está nas suas mãos (antiga reivindicação...), mas na prateleira faltam livros, a estante dos CDs está desfalcada, o armário do banheiro esvaziou de repente, deixando sua escova de dentes lá dentro, sozinha, vazia como você. É o momento em que se fica frente a frente consigo mesma, com o sonho que não deu certo, a boneca que quebrou, o amor que se jurou eterno e, como vidro, se quebrou. Daí a dor, daí a necessidade de se repensar a vida, não sem antes admitir o luto.

    As pessoas, quando se separam, sentem-se perdidas e sem rumo porque todo relacionamento (e quanto mais longo mais isso acontece) implica numa fusão dos egos, é como se não existisse mais “você” e “eu”, mas uma nova entidade chamada “nós”. A separação rompe esse parâmetro, então é preciso reencontrar o ego, desconstruir para voltar a se encontrar. Nesse período, vale tudo o que puder ajudar: o colo da mamãe, quando ainda está disponível, a conversa com as amigas (cuidado com as que se comprazem com a dor alheia...) e, muitas vezes, a ajuda de um profissional de Psicologia se faz necessária para que esse período de perda e luto seja melhor enfrentado. Por mais que as amigas e amigos se esforcem, não há conselho que ajude. É como quebrar um osso: o gesso ajuda, o anti-inflamatório e o sedativo ajudam, mas só o tempo pode resolver o problema definitivamente.

    Há, porém, formas de se minimizar o sofrimento, e o auxílio psicológico está entre elas, quando a dor não é de osso, mas é de alma. Se você quebrar um osso e não procurar socorro, pode ter graves complicações; da mesma forma, as dores de amor dependem principalmente do tempo, mas é preciso ajudar o tempo a fazer o seu papel.

    Toda separação é dolorosa, essa é a grande verdade. Mesmo que as pessoas envolvidas neguem. Refazer a vida, reorganizar o tempo sem a outra pessoa, por pior que estivesse a relação, implica numa desconstrução que muita gente não consegue fazer, ou faz muito mal, e continua sofrendo, tanto ou mais do que quando estava numa relação péssima. Há pessoas que se deprimem, outras somatizam a dor, ficando doentes, outras ainda engordam demais ou param de comer. Todas sofrem. No entanto, vale também aqui o ditado popular: “não há mal que sempre dure nem bem que para sempre perdure”.

    Começar de novo, reorganizar a rotina é difícil, mas muitas vezes é necessário, para que se continue a viver, e viver bem. Quem sabe, até bem melhor do que se vivia antes. No entanto, é preciso saber passar pela tormenta, antes que venha a calmaria.
     
    Por: Maria Rita Lemos

    A esperança que dói...



    De todos, talvez o sentimento que mais me comova seja a esperança.

    Não estou pensando na esperança contínua, obcecada, irreal dos fanáticos, que anseiam por algo que não se sabe sequer se existe de fato. Nem naquela esperança que é mais um tipo de modéstia, pois na verdade tudo já está encaminhado para o sucesso. Nestes casos, a esperança é apenas cautela. E não me comove a esperança abstrata do "tudo vai dar certo", que só surge quando não há mais nada a se falar.

    A esperança que me abala de forma mais profunda é aquela esperança íntima que surge de repente, nas piores situações, de maneira involuntária, apenas um lampejo que ilumina por um segundo o breu da realidade e desaparece antes que se pisque o olho. É quase um sonho, essa esperança de que falo.

    É a esperança dos filhos que, ao lado do leito do hospital, seguram a mão do pai ou da mãe - ou dos pais que aguardam à cabeceira do filho doente - e que, mesmo quando o pior já é certo e assimilado, sentem, em meio às lágrimas, aquele quase conforto a lhes atordoar ainda mais a dor. Por um segundo apenas, a esperança de que um milagre faça com que tudo mude, e que possam ter mais tempo para as tantas coisas que ainda restam a ser ditas ou vividas ao lado do ser amado.

    A esperança da mulher em processo de aborto que, de repente, sente que seu filho pode nascer e sobreviver, e consegue até imaginar o seu rostinho, seu choro, seu sorriso. Ou aquela esperança que assalta um sem-teto no meio da noite, fazendo-o acreditar, apenas por um segundo, que alguém vai parar o carro e lhe jogar um cobertor sobre o corpo encolhido. A esperança fugaz de que o freio funcione, os pés não derrapem, o corpo suporte, o tempo pare. Só por um segundo, ou menos do que isso. Só um momento.

    E então, a centelha se apaga e nos deixa assim atordoados, assim sem saber o que foi que aconteceu, sem saber como é possível ter sentido tão intensamente, ainda que por um breve momento, a felicidade extraordinária da esperança.

    Nada sei sobre psicologia, mas imagino que isso seja, de alguma forma, uma defesa fabricada pela mente quando se está vivendo momentos extremamente difíceis. Uma forma de conforto, talvez, gentil oferta do subconsciente? Realmente não sei.

    Seja como for, talvez o que comova seja a impressão de que um lampejo de esperança, por mais instantãneo que seja, fique marcado como cicatriz na memória, e ao findar, faz com que o frio pareça mais cortante, a fome mais funda, a saudade ainda mais intensa, a realidade mais dura.

     
     
    Por: Anna Christina Saeta de Aguiar

    quinta-feira, 28 de abril de 2011

    Do que você precisa para ser feliz?


    Ser acordada com beijos ao invés de despertador
    Ficar de preguiça na cama por 10 minutinhos antes de levantar
    Receber um telefonema da sua mãe para desejar bom dia
    Ver que todos te olham até se dar conta de que você aumentou o som do carro para cantar a sua música favorita
    Despertar com alguém buzinando porque você se perdeu olhando o amanhecer na Lagoa
    Reduzir a velocidade do carro para um senhor atravessar, receber uma reverência de muito obrigada e descobrir que existem pessoas que ainda se importam com gentilezas
    Acabar um trabalho e perceber que você faz aquilo por amor e não por dinheiro
    Se permitir estar tão distraída a ponto de perder a estação do metrô
    Sorrir sozinha revisitando uma boa lembrança
    Esbarrar em alguém que você não vê há muito tempo
    Ouvir eu te amo antes de se deitar
    Sentir saudade de alguém que você vê todos os dias

    Por: Karine Karam

    Atire-se


    Diga o que você está sentindo.
    Corra atrás do que você quer. Isto é necessário.
    Exponha-se. Revele-se. Não tema julgamentos.
    Escolha. Seja escolhido. O que é que tem ser rejeitado? Isto não te fará ganhador ou perdedor.
    Arrisque-se. Cair dói. Mas, nada dura para sempre.
    Para que construir barreiras que ao invés de nos protegerem, desabam sobre nossas cabeças?
    Desista de estar certa, simplesmente seja feliz.
    Abra mão das certezas, não se pode controlar tudo. Aliás, a gente não controla nada!
    Pare de procurar respostas, algumas delas simplesmente não existem.
    Pareça ridículo de vez em quando, isto é bem melhor do que não ser verdadeiro.
    Vale a pena ser romântico ainda que isso pareça estranho ou fora de moda.
    Perca o medo de errar, mas tema fortemente tudo o que você não tentar.
    Atire-se! Há vida em todo lugar, coisas importantes estão acontecendo agora, construa suas histórias.

    Por: Karine Karam

    O que faz bem para a Vida...



    Cada semana, uma novidade. A última foi que pizza previne câncer do esôfago.
    Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...
    Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
    Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

    Prazer faz muito bem.
    Dormir me deixa 0 km.
    Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha.
    Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos.
    Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias.
    Brigar me provoca arritmia cardíaca.
    Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
    Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
    E telejornais os médicos deveriam proibir - como doem!
    Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.
    Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
    Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde.
    E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
    Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna.
    Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
    Conversa é melhor do que piada.
    Beijar é melhor do que fumar.
    Exercício é melhor do que cirurgia.
    Humor é melhor do que rancor.
    Amigos são melhores do que gente influente.
    Economia é melhor do que dívida.
    Pergunta é melhor do que dúvida.
    Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada.
    Sonhar é melhor do que nada.

    Por: Luis Fernando Veríssimo

    terça-feira, 26 de abril de 2011

    Momentos...



    Em toda a minha vida protagonizei e presenciei momentos.
    E com tudo o que já tinha visto, me perdia em um mar de perguntas, de respostas, de falta de compreensão.
    Sempre observei como pessoas reagiam a circunstancias da vida, em momentos de desespero, momentos de solidão, mas também há momentos de alegria, momentos de paz e confraternização.
    Sem saber participei de momentos que se realizavam longe de mim, e que ainda faltavam acontecer.

    Vivi e ouvi momentos sem mesmo poder enxerga-los.
    E assim questionava momentos sem mesmo poder escuta-los.
    A cada dia um novo momento, e a cada dia nascia assim um novo sentimento.
    Sinceramente se eu fosse contar a vocês todos os momentos de minha vida, ficariam perplexos do que aqui escutariam; já presenciei momentos de tristeza, de batalhas, de muita determinação, mas quando o ano terminava, entendia que tudo alquilo que eu tinha presenciado foi para agora poder olhar para momentos que me faziam feliz.
    Confesso que levei um tempo para conseguir enxergar além do que eu estava a presenciar, e sinceramente, não sei se ainda estou pronto para isso.
    Mas será que todos estamos?
    Certa vez me perguntaram por que os homens com esses seus espelhos mágicos nada vêem além de si mesmos...
    Por que há momentos eles resolvem fazer tudo errado, e fazer do chão onde pisam um nefasto campo minado?
    Respondi que embora o homem se julgue forte, destemido, e de muita coragem, há momentos que o torna apenas um garoto; perdido, esquecido, desesperado.

    Mas é uma pena, porque ao longo de minha ainda jovem vida, descobri que o homem, em vários momentos, tomou atitudes que até um simples garoto saberia qual seria o resultado: dor, sofrimento, falta de esperança e assim mais um coração acorrentado.

    Então percebi que esses momentos foram vivenciados, para que todos também os vivenciacem.

    Talvez não igual ao passado, mais momentos melhores ou piores.
    Afinal, não sabemos o que a vida nos reserva, mas sabemos que a vida se dirige do jeito que a ensinamos, e toma os rumos que determinamos.

    Certa vez questionei a um velho sábio para que serviam realmente todos estes momentos.
    A resposta, em um velho pedacinho de papel, ele me deu. Após ter lido, segui o meu caminho
    com uma certeza no coração:  é com todos esses ensinamentos da vida que aprendemos a lutar pelo que somos, alcançar o que nos falta ser alcançado e correr atrás dos nossos sonhos.


    Por: Autor desconhecido.

    Pensando Em Você...


    Eu estou pensando em você.
    Pensando em nunca mais
    Pensar em te esquecer
    Pois quando penso em você
    É quando não me sinto só
    Com minhas letras e canções
    Com o perfume das manhãs
    Com a chuva dos verões
    Com o desenho das maçãs
    E com você me sinto bem

    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer
    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer.

    Eu, pensando em você.
    Pensando em nunca mais
    Pensar em te esquecer
    Pois quando penso em você
    É quando não me sinto só
    Com minhas letras e canções
    Com o perfume das manhãs
    Com a chuva dos verões
    Com o desenho das maçãs
    E com você me sinto bem.

    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer
    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer.
    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer

    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer.
    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer

    Eu estou pensando em você
    Pensando em nunca mais
    Te esquecer.
    Pensando em você.
    Pensando em você.
    Pensando em você.
    Pensando em você.

    Por: Paulinho Moska

    domingo, 24 de abril de 2011

    Tradução da música In the deep, tema do filme Crash


    Nas profundezas

    Você pensou que tinha todas as respostas
    Que podia descansar seu coração
    Mas algo aconteceu
    Você não viu, agora
    Você não pode se controlar

    Agora você está nadando perdido
    Nas profundezas
    Nas profundezas

    A vida mantém seu coração em círculos
    Até que você deixou ir
    Até que você perceba seu orgulho e suba para o paraíso
    E se liberte de você

    Agora você está girando perdido
    Nas profundezas
    Nas profundezas
    Nas profundezas
    Nas profundezas

    Agora você está girando perdido
    Agora você está nadando perdido
    Nas profundezas
    Nas profundezas
    Nas profundezas
    Nas profundezas

    quinta-feira, 21 de abril de 2011

    A Sabedoria que só se conquista aos 2 anos de idade...

     

     

    A SABEDORIA QUE SÓ SE CONQUISTA AOS 2 ANOS DE IDADE

    Tem um cara muito louco que mora aqui em casa comigo e com a minha mulher. Ele tem 2 anos de idade e diz pra todo mundo por aí que é meu filho apesar de que somos absolutamente idênticos. Ele está sempre feliz. Muito feliz. Extremamente feliz. Tanto que resolvi adotar seus hábitos e comportamentos. Segue a lista que preparei e que pretendo seguir com disciplina e rigor para ser muito mais feliz em 2011.

    1. Sempre que possível, corra peladão pela casa gritando: “Tô peladão! Ebaaaaa!”

    2. Nunca perca a chance de dar um beijinho ou um abraço em alguém que estiver ali, dando sopa.

    3. Não tenha medo de puxar conversa com alguém interessante. Aponte para o céu e diga: “Óia! um avião grande!”. Siga conversando naturalmente.

    4. Tire uma soneca depois do almoço onde quer que esteja. (Lembrete: menos ao volante).

    5. Desenhe no box do banheiro enevoado pelo vapor. Ao concluir cada desenho ou mesmo apenas deixar a palma de sua mão impressa diga: “Ebaaaaaa!”

    6. Vire mais cambalhotas. Um mínimo de 3 por semana. Diga: “Ebaaaa!” antes e depois de cada evolução.

    7. Pule na cama. Mas não muito perto da beirada. Diga repetidamente”Ebaaa-ebaaaaa-ebaaa!”

    8. Minta deslavadamente. Mas nunca em causa própria.

    9. Convide todo mundo pra tudo: “Vâmo deitá no chão pessoal?”, “Vâmo tomá suco, pessoal?!”, “Vâmo naná, pessoal?”

    10. Acorde bem cedo e berrando à plenos pulmões. Só pare quando alguém vier te abraçar.

    11. Tenha medo da sua comida.

    12. Acredite nas versões alternativas. Por exemplo: que um trovão pode perfeitamente ser o pum de um elefante voador gigante.

    13. Diga “obrigado” e “por favor” sempre, mesmo que fora de contexto.

    14. Use o MSN Messenger ou Skype para fazer uma videoconferência com seus avós, durante a qual, dance, corra, vire cambalhotas e identifique interessantes partes do seu corpo como o nariz e a bunda.

    15. Mostre o seu pé para as visitas. Olhe de forma atenta e não sem curiosidade para a extremidade e comente: “Ó…o pé.” Depois de alguns segundos de silêncio respeitoso sugira que a visita mostre o pé dela pra você.

    16. Convide sua mãe pra passear quando ela menos espera.

    17. Encontre as formas ocultas nas coisas: uma torrada que parece um coração, um guardanapo dobrado que parece um pato ou uma luva que parece um cavalo. Diga “Ebaaaa!” sempre que isso acontecer.

    18. Quando fizer uma gracinha que todo mundo gosta, repita.

    19. Chore rápido e esqueça porque chorou mais rápido ainda.

    20. Sinta orgulho das coisas que consegue fazer sozinho mas nunca sinta vergonha de pedir ajuda pra quem você ama.

    21. “Ebaaaaaaaa!”


    Por: Rodrigo Leão

     

    domingo, 17 de abril de 2011

    Como levar um fora em três lições!

    Já faz um tempo que fiz um texto chamado “Exorcize a dor de cotovelo”. Tenho essa mania de querer resolver a dor alheia, como se fosse possível saber o que o outro está sentindo e como se sobrepor (rapidamente) às perdas que a vida se lhe impõe. Frequentemente, encontramos em revistas de comportamento (impressas e digitais) dicas variadas para enfrentar a tão fatídica dor de cotovelo, consequência de um famigerado pontapé no traseiro que, se não põe a pessoa por terra, ao menos, estremece a sua auto-estima por tempo indeterminado. Então, invertendo a minha ordem de pensamento, resolvi racionalizar sobre as causas que motivam uma pessoa a arremessar o (a) parceiro(a) para a frente, sem dó nem piedade.

    Levar um passa-fora pode ser uma experiência muito saudável se considerarmos que a vida continua e haverá outros relacionamentos que, pela similaridade comportamental, também terão percalços e tempo ruim. O que nunca paramos para pensar é se estamos no caminho certo, pois, muito mais do que olhar a satisfação do outro, preocupamo-nos com o nosso bem-estar. Também, alie-se a esse fato, as dicotominas de personalidade, o desequilíbrio intelectual e a falta de sintonia nas aspirações. Então, veja aqui, as três lições que o(a) levarão a ser excluído(a) da vida do(a) parceiro(a).

    1. Seja reclamão(ona) e exclusivista - nada mais entediante do que uma pessoa que reclama de tudo, seja dos amigos, dos ambientes que frequenta ou da vida como um todo. É preciso adaptar-se a determinadas situações, mesmo que algo esteja indo na contramão das expectativas. Quando estamos acompanhados, é preciso priorizar o conjunto e não o individual. Protestos em excesso desgastam a relação, assim como exigir exclusividade, como se fosse proprietário(a) da pessoa. Ninguém tolera essas atitudes. Levar um pé na bunda é questão de tempo.

    2. Seja egocêntrico(a) e autoritário(a) - quem só consegue enxergar a si mesmo física e psicologicamente jamais terá um relacionamento completo. Ao outro sempre faltará a reciprocidade necessária para que as coisas fluam harmoniosamente. Se você tem talento, é habilidoso(a), inteligente e bonito(a), certamente, a outra pessoa também possui características que a distingue das demais. Olhar só para si como se fosse o único ser passível de admiração, dentro de algum tempo, passará a ser repelido pelo narcisismo e pela falta de educação. Aliás, essa repulsa também vale para quem é mandão(ona) e só faz valer a sua vontade.

    3. Seja submisso(a) e ingênuo(a) - ao contrário de quem se acha demais para o outro, é a pessoa que se considera inferior. Esta, sem dúvida, acabará sendo dispensada por não atender ao quesito mínimo: valorizar-se. Todos sabemos que a auto-estima precisa estar sempre em alta para que possamos ser admirados e conviver na mesma frequência do(a) parceiro(a). Engrandecer o outro em detrimento de si mesmo(a) é como assinar a sentença do chute. Estar num nível abaixo para se manter é o mesmo que ser ingênuo e não querer enxergar o óbvio. Submissão e ingenuidade não combinam com relacionamento amoroso.

    Isso é fato, tem gente que adora se sacanear e colocar tudo a perder por insegurança, falta de atitude ou excesso de autoconfiança. Equilíbrio é indispensável a quem escolhe uma vida a dois. Carência, mau humor e pegação no pé também são colaboradores fantásticos para levar um fora, sem possibilidade de retorno. Ninguém pense que sustentar-se numa relação é fácil. Espontaneidade não é sinônimo de egoísmo. Soltar todos os bichos, manias, vontades (e ainda querer ser admirado por isso) é condenar o envolvimento amoroso ao fracasso. E se você disser que ainda opta pela egolatria, seus dias a dois estão contados.

    Por Afrodite para maiores

    terça-feira, 12 de abril de 2011

    Carência Afetiva


    Este tema é bastante interessante, podendo nos levar a refletir sobre nós mesmos, os relacionamentos que vivemos e como estamos conduzindo as nossas necessidades. Ser ou estar carente está diretamente ligado às nossas atitudes, que sempre tem causa e consequência.


    Pensemos! Quantas pessoas já não se perguntaram se o que sentiam pela outra era mesmo algo verdadeiro ou o relacionamento se mantinha por carência? Isso é normal, posto que, dependendo do momento que estamos vivendo em nossas vidas, a coisa pode evoluir para uma dependência física, psíquica e alienante do outro. Viramos vampiros sem perceber e, com o passar do tempo, esse pseudo-relacionamento começará a ruir. A carência afetiva surge por vários fatores, e não são apenas os solteiros e solitários que podem ser acometidos por esse mal. Você pode estar casado(a) há vinte anos, ter uma vida "aparentemente" estruturada e ser carente. Tudo porque ali pode haver horizontes distintos sob um mesmo teto, dois corpos com respostas diferentes numa mesma cama, duas mentes com versões individuais acerca de sentimentos. É possível, sim, estar rodeado de pessoas e sentir-se carente: de afeto, de atenção, de alguém que o complete e o ouça de maneira especial. Todo mundo precisa se sentir amado, protegido, admirado. E é no momento que esse alguém se aproxima e se instala no nosso cotidiano que a dúvida pode aparecer. Estou apaixonado(a) ou me apeguei por estar carente? A paixão e o amor se confundem, até certo ponto, com carência, mas não no todo. A necessidade de um apaixonado é mais física do que psíquica. Você precisa estar perto, tocar, sentir, ver o objeto de desejo. Na carência, basta saber que existe alguém que pensa e se preocupa com você, que a sensação de vazio desaparece. É um sentimento bem mais complexo e sofrido, já que não tem a estabilidade do amor nem o desejo físico da paixão. E por não ser uma necessidade física e sim psíquica, o apego pode ser virtual, sem contato direto com a outra pessoa; é apenas uma sensação de preenchimento àquilo que falta, o que acaba se transformando em uma dependência nada saudável e pouco real, pois há uma idealização do outro, conforme a sua vontade. E se essa carência não for recíproca, haverá aí um sufocamento na relação o que incorrerá em conflitos, mágoas e uma gigantesca confusão mental acerca dos próprios sentimentos. O maior problema da carência afetiva é o rumo que ela pode dar a um relacionamento. Pode-se abrir mão da personalidade, das opiniões e do modo de agir para satisfazer o outro, o que acaba gerando um cansaço por conta da falta de autenticidade que este apresenta, sempre se anulando e dando demonstrações visíveis de insegurança em relação àquilo que já está fadado ao fracasso. É só questão de tempo, até que um ou outro tome coragem e dissipe o equívoco. O carente afetivo, além de ser inseguro, é pegajoso por estar sempre pronto a agradar. Demonstra amor demais, opinião de menos, preocupação demais, controle em excesso. Muitas vezes confunde a outra pessoa por se mostrar prestativa, polivalente e insubstituível. Ele esquece o seu "eu" e passa a viver o "eu" do outro, não fazendo distinção entre felicidade alheia e a sua própria. E por querer-se amado, não se valoriza, tampouco prioriza os seus desejos e sentimentos, que vão se esvaindo até chegarem novamente ao vazio interior. Enquanto não houver entendimento de que não é no outro que se encontrará o que lhe falta, o diagnóstico é um grande sofrimento interno, entre altos e baixos, sorrisos e lágrimas, até encontrar um meio termo que o liberte dessa sensação de dependência incoerente, frágil, que o impede de ir adiante e ser uma pessoa autoconfiante, não vulnerável, que sabe o que sente e que se garante. Carência não é crime, mas não tentar se livrar dela, é suicídio emocional.


    Afrodite para maiores

    segunda-feira, 11 de abril de 2011

    Na vida de todos nós surgem músicas que cantam e contam com exatidão os nossos sentimentos e emoções presentes ou passadas. Que de certa forma nos leva para algum lugar, e nos enche de paz. Essa é a música da minha vida, a que me aquece a alma!

    video


    video



    De volta pra mim...

    domingo, 10 de abril de 2011

    Encerrando Ciclos


    Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão


    Por Fernando Pessoa

    Aprendendo a viver


    Aprendi que se aprende errando Que crescer não significa fazer aniversário. Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem. Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro. Que amigos a gente conquista mostrando o que somos. Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim. Que a maldade se esconde atrás de uma bela face. Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida. Que amar significa se dar por inteiro Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos. Que se pode conversar com estrelas Que se pode confessar com a Lua Que se pode viajar além do infinito Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde. Que dar um carinho também faz... Que sonhar é preciso Que se deve ser criança a vida toda Que nosso ser é livre Que Deus não proíbe nada em nome do amor. Que o julgamento alheio não é importante Que o que realmente importa é a Paz interior. "Não podemos viver apenas para nós mesmos. Mil fibras nos conectam com outras pessoas; e por essas fibras nossas ações vão como causas e voltam pra nós como efeitos."



    (Herman Melville)

    sábado, 9 de abril de 2011

    Felizes para sempre?

    A maioria das pessoas que se casa tem a expectativa de que tudo dará certo e de ser feliz para sempre. Todos nós procuramos por alguém, apaixonamo-nos, pensamos ter encontrado o par ideal para dividir conosco as histórias que ainda estão por vir. Casamo-nos e levamos no pacote um sem número de planos que, a seu tempo, contemplamos concretizar a dois. O momento que precede o casamento é perfeito: há paixão, busca, sonho, sorriso. Porém, com o passar dos anos, entramos em outro estágio. A paixão cede lugar ao comodismo, que incorre no afastamento; as expectativas de um já não são mais as do outro; os planos se individualizam; os sonhos escurecem e o sorriso diminui consideravelmente. Aí, exatamente nessa hora, começamos a nos perguntar onde tudo foi parar e entramos numa fase de tentativa-erro para recuperar aquilo que, por um espaço de tempo, preencheu a nossa vida e satisfez os nossos ideias de felicidade. Só que não há como recuperar o que foi um dia. As coisas mudam naturalmente. Então, ou mudamos nós nesse momento ou o momento nos absorve para um beco sem saída. Esse processo dos anos que chega até a acomodação é nutrido por vários fatores: perde-se a vontade de conquistar o que já ali está por se conhecer todas as possíveis reações do parceiro; apega-se a problemas financeiros, com os filhos, com a carreira, com doenças, para não pensar em si mesmo e dar chance à vontade de mudança já que isso implica decisões; aceita-se a morte lenta das emoções por se considerar que esse é um fim em si mesmo, imutável e fatal. Então, entramos em clima de aceitação à espera de um milagre. Adiamo-nos, convertemo-nos à tristeza e à solidão conjunta. Perdemos a noção do que significa a palavra coragem. Emudecemos as palavras. Esquecemos os sonhos. Perdemos o jeito, a forma, o ponto, a vontade de dormir e acordar ao lado daquele alguém que um dia nos deu um norte e o arco-íris nas mãos. Sabendo-nos sozinhos, também ficamos cegos, precisando tatear o corpo para ver o que sobrou e se vale a pena chafurdar os sentimentos. Uma relação em modo off precisa, com urgência, de tratamento, ambos ou um dos dois deverá iniciar um processo de “clareamento” das emoções para que a essência não se perca. Ou se reaquece o que amornou ou se dá um tempo para que as coisas tomem um rumo natural que aconchegue ambas as vontades. Se são as circunstâncias externas que adentram a porta e por ali se instalam, é preciso percepção para não se angustiar em decisões precipitadas e acabar com aquilo que ainda não está findo. Viver diariamente um relacionamento é bem diferente daquilo que vemos em filmes ou lemos em romances. Não somos constantes e intensos em tempo integral e, às vezes, por não haver entendimento de que precisamos de tempo e espaço para sentir a vida com olhos únicos, acabamos reféns da nossa própria escolha, que é comungar os passos e as ações de tudo, exatamente tudo o que nos diz respeito. Esses são os possíveis e prováveis parâmetros da maioria dos casamentos. A quem está nessa situação, de duas, uma: ou aceita essa vida limitada e entediante entre quatro paredes, com todos os moldes previsíveis, entre lágrimas e desculpas esfarrapadas para si mesmo, ou vai à luta, abrindo a cortina e recuperando aquilo que acreditamos um dia ser o nosso ideal numa vida a dois: ser feliz, chova ou faça sol. Porém, se der tempestade, é melhor abrir a porta e ir com ela.



    Por Afrodite para maiores

    Viver não dói

    Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive". Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.
    Por Martha Medeiros

    A Princípio

    De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos,sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par e não como pares? Ter um parceiro constante, não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo a expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
    Por Martha Medeiros

    A Porta do Lado

    Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente... É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia. Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença. O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato. Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles. Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado. Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato. Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado." Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria. A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!

    Por Dráuzio Varella

    sexta-feira, 8 de abril de 2011

    Maturidade

    Nada melhor do que o tempo para aprendermos a nos conhecer. É só ele que nos mostra o quanto sabemos da vida e o que ainda temos a descobrir. A maturidade nos faz refletir de maneira mais demorada diante das coisas que nos envolvem. Tendemos a resistir o novo, em contrapartida, temos mais curiosidade em ousar. Sabemos, claramente, que uma escolha errada, a certa altura da vida, pode nos fazer sucumbir de maneira irreversível, daí a ressalva ao desconhecido, mas são as experiências adquiridas que nos encorajam para novas ações e nos mostram que podemos mais. Depois dos quarenta anos, passamos a visualizar os nossos atos com muito mais essência, minimizando o automatismo a que estávamos acostumados na juventude. Já não há mais tanta pressão para provar quem somos e até onde conseguimos chegar. Porém, essa transição não acontece num passe de mágica; é a partir de determinado ponto que conseguimos nos enxergar, distanciando-nos do comportamento padrão (que não questiona) e nos aproximando de uma conduta individual, que começa a pedir passagem em nome do que ainda falta ser descoberto e da própria personalidade, que já não aceita mecanizar as atitudes. Somos treinados para "ter" e não para "ser". Temos de ter dinheiro para conquistar uma vida digna, que atenda a todas as nossas necessidades presentes (e até futuras), temos de demonstrar segurança, mesmo diante de dúvidas e obstáculos, temos de ser aceitáveis física e psicologicamente para não provocar a repulsa dos demais, e, principalmente, temos de ter inteligência para não cair completamente no vazio das convenções e conduzir a vida no piloto automático, nula de sentido, sem emoção, concernente com o coletivo e repleta de artificialismo. E por que não sentimos necessidade de fazer valer o que está lá dentro na época da juventude? Muito simples! Nesse período estamos preocupados em viver as emoções, aproveitar os acasos que a vida nos oferece, somos pouco exigentes quanto aos valores interiores, sublimando bem mais as amizades e as vivências coletivas. Já, na maturidade, por não haver tantos erros a serem corrigidos, mas sim lacunas a serem preenchidas, tendemos a personificar o "eu" em detrimento do "nós". Saímos do invólucro da passividade e tiramos da gaveta as tempestades mentais que se acumularam ao longo dos anos. Por culpa da cultura em que estamos inseridos, muitas pessoas têm uma visão deturpada sobre a maturidade, como se a vida fosse sinônimo de decadência. Quem disse que não podemos continuar nos expandindo e buscando novas experiências enquanto avançamos mais um ciclo? Esse clichê da eterna juventude nos induz a desistir cedo demais ou a nos equivocar, posando de adolescentes salubres para mostrar que estamos vivos. Também não é essa a hora de jogar fora velhas teorias, rever filmes, pintar a casa, dar festas, parar de beber, comer melhor e exigir da mente o que o corpo não consegue cumprir, é apenas um momento que nos pede equilíbrio e lucidez para eleger o que é prioridade e o que não faz mais sentido manter. Não precisamos mais nos esconder da realidade, buscando subterfúgios de auto-afirmação. Ratificamos, sim, a nossa existência, doa em quem doer, estamos, pois, preparados para uma nova fase, com os mesmos espinhos e obstáculos dos anos passados, porém, com o unguento certo para estancar possíveis feridas que venham a se abrir e com solidez suficiente para embasar os novos propósitos dessa vida de aprendiz. E quem não conseguir isso, deverá ter, por certo, ao fim da vida, uma sensação de insipidez que lhe entrará pela boca, descendo pelo peito, corroendo-lhe as entranhas por não ter sido capaz de descobrir o sentido da própria existência enquanto teve tempo para isso. acontecer.
    Fonte: Afrodite para maiores

    Todo Azul do Mar


    Foi assim como ver o mar
    A primeira vez que meus olhos
    Se viram no seu olhar

    Não tive a intenção
    De me apaixonar
    Mera distração
    E já era o momento de se gostar

    Quando eu dei por mim
    Nem tentei fugir
    Do visgo que me prendeu
    Dentro do seu olhar
    Quando eu mergulhei
    No azul do mar
    Sabia que era amor
    E vinha pra ficar

    Daria prá pintar todo azul do céu
    Dava prá encher o universo da vida
    Que eu quis prá mim

    Tudo que eu fiz
    Foi me confessar
    Escravo do teu amor,
    Livre para amar
    Quando eu mergulhei
    Fundo nesse olhar
    Fui dono do mar azul
    De todo azul do mar

    Foi assim como ver o mar
    Foi a primeira vez que eu vi o mar
    Onda azul, todo azul do mar
    Daria pra beber todo azul do mar
    Foi quando eu mergulhei no azul do mar


    Flávio Venturini

    A Droga da Solidão

    Solidão, como disse Josh Billings, "é um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada". No entanto, é incrível a capacidade que as pessoas têm de procurar ou se acostumar com ela: buscamos nos becos, atrás das portas, pelos cantos da casa: silêncio e solidão, é tudo o que precisamos. Flores de plástico sobre a mesa, quintal sem jardim, bichos de pelúcia e cinema em casa, tudo em nome da solidão. E como é bom conviver apenas com sombras de fantasmas na madrugada insone. Ninguém por perto a nos sondar, questionar, arrancar palavras que não querem dizer, emoções que se recusam a sentir, sorrisos sem vontade de aflorar. É difícil entender por que nos isolamos... São tantas as pessoas que passam pela nossa vida, umas em flashs, outras que nos ajudam a escrever uma história, construir uma trilha, delinear os traços dos caminhos que tomamos. E são essas que deixam marcas, seja de amizade, ressentimento, saudade, emoções em forma de imagens, cor, perfume, gestos, sabor, sentimentos... Cada uma delas deixou algo que lhe é próprio, único, que a caracteriza. Será que aquela carismática falava demais? A extrovertida o deixava tonto? A excêntrica era muito estranha? A intelectual era prepotente? A simplória era vergonhosa? Será que ninguém serviu para compor o seu mundo, a sua vida, o seu cantinho inodoro com flores de plástico? Sei, a simetria não permitiu que você mudasse a sua vida em nome de um intruso que desvirtuaria o seu cotidiano, trocaria o seu cardápio, plantaria flores no quintal e o forçaria a ir ao cinema na sexta-feira à noite. A sua personalidade seria destruída, esmagada, sugada, reduzida a pó. Como viver sem as noites de insônia, com alguém a lhe perguntar se não vem dormir, com um cãozinho latindo lá fora e aquele perfume cítrico que invade o quarto toda vez que é usado? É tão bom ser insípido, inodoro, inaudível, descompromissado de expor sentimento, de fazer cortesia, ser isento de dar um sorriso, uma palavra qualquer, um bom dia, não é? Mas e a sinestesia? A exploração dos sentidos dos quais somos dotados? Para que lhe servem os sentidos? Atributos inerentes ao ser humano: a sensação do toque, do cheiro, das palavras sussurradas no ouvido, dos beijos trocados nas noites de inverno, dos olhares que se cruzam em cumplicidade. São momentos em que as energias convergem e transformam o líquido em sólido. São correspondências sensoriais que fazem a vida ter um sabor diferente e nos tornam fortes o suficiente para que percamos o medo de nós mesmos e do colorido do dia, e da música alta, e do cãozinho que late, e das ervas daninhas que precisam sempre ser arrancadas para não extinguirem as flores do quintal. A verdade é que não conseguimos viver sozinhos, sem um amigo verdadeiro, sem um amor que nos complete. Amor que nos complete! Que-nos-complete! A ausência dessa ligação nos torna reticentes e arredios. Passamos a ter uma visão ambivalente do mundo, um comportamento obtuso, atitudes vazias e mecânicas. Passamos a não ligar se é cedo ou tarde, se o corpo pede alimento, se a letargia é permanente e já encobriu o sorriso que virou nostalgia. Precisamos de gente por perto que nos faça sentir vivos. Será que não existe alguém bom o suficiente para nos preencher ou será que não estamos espertos e sensíveis o bastante para perceber? Permitir-se a uma pessoa é abrir um livro com imensas possibilidades de ilustrações, é fechar um ciclo e iniciar outro. Tudo parece novo! A conversa instigante, o coração inquieto, os braços agitados, as energias fluindo e se expandindo para todos os lados. Que importa se esse alguém é excêntrico ou extrovertido em demasia, se tem defeitos e manias estranhas, se fala demais? É a pessoa que ali está e faz parte do seu mundo. Então, permita-se: ria, chore, cale-se, fale até cansar, extasie-se de todas as sensações possíveis. Jogue fora as flores de plástico e beba aquele gole de vinho, brindando o prazer da companhia. Tim-tim!
    Fonte: Afrodite para maiores

    quinta-feira, 7 de abril de 2011

    Meu Herdeiro

    Meu filho, Queria dizer-te hoje, por todas as vezes que não te disse, e devia, que não existe medida para o amor que te tenho, ou para o sentimento de profunda realização que me enche a alma de cada vez que olho para ti. Que não é possível definir em palavras o orgulho que tenho em cada um dos teus sorrisos, em cada uma das tuas palavras, em cada um dos teus gestos, na criança que és e no homem em que te estás a transformar. Queria agradecer-te por seres o meu melhor amigo e por aceitares que eu seja o teu. Por seres a materialização de todos os meus sonhos, tudo o que desejei e muito, muito mais. Porque cada vez que me abraças fazes de mim um rei, cada vez que me chamas fazes de mim um herói. Porque és o melhor que há em mim. Queria pedir-te perdão por todas aquelas vezes que não tive tempo ou paciência. Por todos os momentos em que precisaste de mim e eu não estive presente. Por não ter estado mais, rido mais, beijado mais, brincado mais… Queria dizer-te que todas as escolhas que fiz, mesmo as erradas e mesmo as que contrariaram a tua vontade, tinham o propósito de fazer de ti alguém melhor que eu. Que vivo para te ver saudável e em paz, que nada no mundo é mais importante que tu, que o meu pesadelo é perder-te, magoar-te ou afastar-te de mim. Não tenho verdades universais ou conselhos sábios para te dar, mas se a minha vontade te pesa nas decisões, então seja feliz. A vida tem uma forma estranha de nos ensinar, e tudo o que precisas de saber aprenderás no momento em que conheceres o teu filho. Deixarás de pertencer a ti próprio e saberás que o amor não conhece limites ou barreiras. Com todo o amor, Pai
    Por:JOSÉ WALTER A.JUNIOR

    Crônica do Amor


    Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


    Arnaldo Jabor

    Vai!!!


    Espera aí,

    Nem vem com essa história Eu nem quero ouvir

    Não dá pra te esquecer agora Como assim?

    Você disse que me amava tanto ontem

    Eu juro que ouvi

    Calma aí! Que diabo você tá dizendo agora? Que onda é essa de outro lance pra viver?

    Você nem pode tá falando sério

    Vivi pra você

    Morri pra você

    Pois então vai A porta esteve aberta o tempo todo, sai

    O que está esperando? Você sabe voar

    Então tá bom

    É, senta e conta logo tudo devagar Não minta, não me faça suportar

    Você caindo nesse abismo enorme Tão fora de mim

    Tá legal É, e eu faço o quê com a nossa vida genial? Cê vai viver pra outra vida E eu fico aqui

    Na vida que ficou em minha vida Tão perto de mim Tão longe de mim

    Pois então vai, a porta esteve aberta o tempo todo Sai! Quem tá lhe segurando? Você sabe voar Mas se quiser, vai A porta na verdade nem existe, sai O que está esperando?

    Você sabe voar De volta pra mim De volta pra mim...

    Putz...

    Ana Carolina

    EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!


    Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso? A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, Que zela pela sua felicidade, Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas, E que dá uma sacudida em você quando for preciso. Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás, É ver como ele(a) fica triste quando você está triste, E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro. Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, Sem inventar um personagem para a relação, Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; Quem não levanta a voz, mas fala; Quem não concorda, mas escuta. Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!


    Fonte: Arnaldo Jabor

    quarta-feira, 6 de abril de 2011

    O Panteão do Ex


    Seguramente, cada um de nós tem a sua coleção de ex-. Vivemos em mutantes acontecimentos, e, bem ou mal, nessa trajetória, envolvemo-nos mais com uns e menos com outros. Os ex-colegas da escola, a ex-turma, os ex-professores, o ex-chefe, podendo evoluir para outros mais próximos: ex-namorado, ex-marido, ex-mulher, enfim. Estamos rodeados de ex-relacionamentos que compõem a nossa vida e nos deixam marcas (boas e ruins) em cada ciclo que fechamos. Dependendo do grau de proximidade que tivemos com o(a) ex-, certamente, poderá haver, em tempo subsequente, uma tentativa de resgate da história vivida ou, pelo menos, de parte dela. E é exatamente aí que podem surgir alguns erros iminentes, como o confronto entre o que foi um dia e como será agora. Examinam-se as duas situações, a realidade atual de cada um e determinam-se, mesmo que inconscientemente, diferenças e semelhanças naquilo que teve (e ainda pode ter) importância e peso relevantes. Mas será que pode ser do mesmo jeito? É claro que uma segunda investida em um relacionamento findo pode causar insegurança, ainda mais se levarmos em conta que ambos, ou um dos dois, envolveu-se profundamente com outra pessoa, teve uma história, sofreu mudanças, enrijeceu ou abrandou a personalidade. É possível que, no correr dos dias, haja uma rememoração dos comportamentos antigos e, equivocadamente, inicie-se um processo de busca (emocional e física) daquilo que ainda habita na memória e/ou nos sentidos. Pode ter certeza, nunca mais será a mesma coisa. Há lacunas que foram preenchidas por outras pessoas e são essas que, no presente, poderão acinzentar o resgate da relação. Haverá jogo de cintura para lidar com as novas situações? Esse novo cenário que se abre é composto por outros personagens e um público desconhecido. As velhas discordâncias causadoras do afastamento podem nem ter mais lugar nesse enredo inusitado. Só os sentimentos permaneceram, a essência, talvez algumas dores e delícias, mas a velha história ficou no passado e não há como ressuscitá-la. Antes de ser acometido por um surto de impulsividade e mergulhar de cabeça no que já se conhece, seria interessante considerar uma única cláusula para esse tema: o motivo causador da separação. Estaria este cicatrizado? Resolvido? Há expectativa de que haja um novo olhar sobre esse fator preponderante? Por se saber conhecedor do peso de um desconforto emocional vivido com esse alguém, fato é que haja acirrada desconfiança em se envolver por inteiro e incorrer no mesmo erro. Será que estamos prontos para um risco como esse? Acho que sim, desde que não se lapide a memória e nem se desenhe a mesma paisagem para pregar na parede.


    Fonte:www.afroditeparamaiores.com

    Filtro solar!


    Nunca deixem de usar o filtro solar Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar! Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência, Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês... Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente. E como você realmente estava com tudo em cima, Você não está gordo ou gorda... Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta. Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade. Cante. Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano. Use fio dental. Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo. Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine. Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos. Estique-se. Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles. Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você, As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, É assim para todo mundo. Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!! Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele, É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir. Dance. Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto. Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois. Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro. Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem. More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer. Viaje. Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer. E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, E as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos!! E não espere que ninguém segure a sua barra. Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar. Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85. Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale. Mas no filtro solar Acredite.


    http://www.vagalume.com.br/filtro-solar/pedro-bial-filtro-solar.html#ixzz1IkUh6JLb

    terça-feira, 5 de abril de 2011

    O som do silêncio...


    Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala! Simples, rápido! E quanta força! Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!" É o silêncio de um mandando más notícias para o desespero do outro. É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Mesmo no amor quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem.


    Fonte: Martha Medeiros

    Teoria do Eu!


    Às vezes a gente dá um tempo para a vida e deixa que ela corra solta, vira espectador dos acontecimentos, concede uma folga à vontade de brigar pelas coisas que parecem certas, sai de cena e apaga luz, tateando no escuro o lugar da cama, silenciando os atos, congelando os brios à espera do outro amanhecer, se com chuva ou sol, não faz nenhuma diferença. Então os dias correm e a gente não pensa em nada. Nem percebe que a grama do jardim cresceu, que está esquecida dos amigos e que precisa dar um alô ao mundo, que continua acontecendo. Mas por ora, não se quer mudar aquela rotina, está tudo tão equilibrado, suficiente, que se pendura na porta os meandros e as expectativas por tempo indeterminado. Só que de repente, os outros se dão conta e lembram que você existe, e telefonam, e cobram a sua presença, e perguntam se está tudo bem, e atormentam a sua paz provisória que não tem nada a ver com tristeza ou coisa parecida. Sabe quando você não tem o que dizer porque as palavras somem? É como ter de se justificar pelo que não fez ou assumir o que não sente. Por que será que a maioria das pessoas não entende esse flerte com o "eu" e já quer solucionar o possível “problema”, invadir o nosso espaço e nos arrancar dali como se essa reclusão fosse uma doença? Esses delineios emocionais não são prenúncios de que algo está errado. É apenas uma lacuna que se amplia a fim de relaxar, desbloquear, esticar a corda para ver até onde vai. Talvez nem todas as pessoas tenham essa necessidade de brecar as ações e tragar um pouco de ar puro. Preocupam-se tanto em fazer, acontecer, aparecer, que acabam tendo uma visão unilateral para a vida onde pesam apenas as suas regras de conduta, o seu manual de comportamento, as suas entrelinhas, o seu status, as suas frases egocêntricas... A esses que veem a vida em pacotes simétricos sobra miopia existencial para perceber que as pessoas não respondem aos estímulos ou desestímulos da mesma maneira, que sonham com ou sem os pés no chão, que degustam as agruras com mais ou menos languidez, que fazem da vida um ensaio de guerra ou de paz. Sobretudo, que amam e odeiam de forma desigual. O mais incrível desses parênteses que a gente abre para a vida (sem ficar esperando resposta de nada) é que as coisas boas acabam vindo como um presente, uma surpresa deliciosamente sólida que nos põe um sorriso do tamanho do mundo no rosto e nos dá uma sensação de preenchimento interior que supera qualquer prospecto de outrora. Não se pôr em guarda à espera do que se quer é permitir desligar-se dos ponteiros do relógio que invadem as horas e jogam fora cada segundo de esperança malograda. O tempo é inimigo de quem necessita de respostas. Passeia neutro pelas veias e adentra o corpo silenciosamente. Desconfio que o segredo é não fazer caso dele, deixando que a vida flua livre, sem arreios nem peias.


    Fonte: www.afroditeparamaiores.com

    A Morte Devagar




    Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo. Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.



    Fonte: Martha Medeiros